Sagrado

Foto de Lou Poulit

A MONTANHA E O PINTASSILGO (CONTO)

A MONTANHA E O PINTASSILGO
(Parte 1)

O pintassilgo é um pássaro bem pequeno. Mas é um grande cantador e tem a especial capacidade de executar seqüências surpreendentes de sons. Tais são os recursos canoros que a natureza lhe deu, que consegue imitar com perfeição o canto de muitos outros pássaros, grandes e pequenos, receber territórios que equivocadamente lhe atribuem e atrair muitas fêmeas de diferentes espécies que, entretanto, ele não pode amar. Pelo menos do modo que elas desejam. E como se nada lhe bastasse, vai muito além. Usa seu imenso potencial “técnico” para exercer seu maior talento: cria suas próprias composições, para atrair também as fêmeas da sua espécie e levá-las ao seu ninho, construído sempre em algum lugar muito alto. Como personagem dos palcos da natureza, o pintassilgo aparenta ser um sedutor compulsivo e generoso, insustentável e gratificante. Talvez seja algo dissimulado, porém com certeza é muito competente e nem um pouco condenável. De modo que, estando ele metido entre as folhas de um ramo denso qualquer, ouvindo um portentoso pio seu os outros pássaros imaginam: é um grande pássaro! Ou escutando uma seqüência doce e languidamente sussurrada, outros mais decerto deduzem: é divino, um verdadeiro mestre!... Mas não. Trata-se apenas de um artista. Um pequeno grande artista, que parece dono da sua liberdade, mas é confinado em sua própria natureza.

A montanha é muito antiga. Ao contrário do pintassilgo, ela não parece nada frágil. Quem quer que olhe assim para ela, altiva e ensimesmada, há de imaginar que talvez seja muito solitária. Mas com certeza é uma fortaleza, resistiu aos séculos, aos milênios, nem todos os raios foram capazes de alterar o seu humor, nem todos os ventos puderam mostrar o pudor sob suas vestes e nem todas as chuvas puderam lhe causar um simples arrepio. Ela é uma montanha. Impassível, sóbria e sem medos. Tem um quê de altruísta, mas é impenetrável em seu silêncio. Aliás, diga-se de passagem, seu sagrado silêncio, já que a pedra, desde os tempos mais remotos e a mais remota concepção a cerca de Deus, sempre foi lugar de sacrifícios, portanto depósito de todas as aflições e anseios. A montanha guarda muitas cicatrizes, como se raios justiceiros e aguaceiros misericordiosos, escrevessem a fogo e água em seu imenso dorso (para que na posteridade todos entendessem) uma espécie de definição da transitoriedade de tudo. O pintassilgo talvez não pense nisso. Por certo, quando sente se aproximar uma tempestade, o pequenino não consegue pensar em coisa nenhuma. Mas nem mesmo aquela montanha tão grande, de tão subterrâneo pudor imolestável, pode ser eterna, porque a eternidade é maior do que todas as coisas e mais resistente do que qualquer concepção, pudica ou não. A eternidade é o único lugar onde a verdade pode repousar da ignorância alheia e sentir-se íntegra, e plenamente segura. Assim como quer sentir-se a poderosa alma sensível do frágil pintassilgo, acomodada entre as delicadas flores que ajardinam as cicatrizes. Contudo, nesse momento a sólida paz da montanha é alicerçada sobre a lembrança de incontáveis milênios, enquanto toda a alma do pintassilgo, que tem apenas o brilho pulsante de um pirilampo, é atormentada, durante agônicos e intermináveis minutos, por sua memória recente, em que penas encharcadas antecipam novos ventos, e os seus arroubos e alardes cruéis.

Perguntou a montanha ao pintassilgo: Por quê ficas assim encolhido nas minhas fendas, quando podes ir às alturas, sempre que bem entendes, em todas as direções?... O bichinho sorriu, balançando a cabecinha enterrada no corpo, e respondeu com outra pergunta: Não vês que vem chegando uma tempestade com ventos terríveis? Não ― o rochedo mostrou-se surpreso ― não vejo nenhuma. Onde vês tu? Ora Montanha, como podes, sendo assim tão alta, não perceber uma tempestade? Bolas, por quê me sentiria na obrigação de percebê-la? Ventos não me afetam, não a percebo por isso. Mas percebes a mim ― retrucou a avezinha inconformada ― que sou tão pequeno e frágil. Gostas tanto assim de mim, “sua” brutamontes? Depende, sim e não... Como assim ― com uma das patinhas o pintassilgo coçou a cabeça ― “depende, sim e não”, gostas ou não gostas? Hum... ― A montanha refletiu e depois explicou ― Quando tu cantas maviosamente sim... Porém, quando me emporcalhas com teus dejetos silenciosos... Definitivamente, não! ― A montanha asseverou... Ora, eles têm utilidade ― o pequeno justificou-se ― trata-se de adubo! Adubo, Pintassilgo? Sobre rochedos? Que tipo de fruta-pedra mais te regala? Não me subestimes, “seu” pinguinho empenado... Me desculpe, dona Montanha... Também é tão pouquinho, pôxa vida... Ah, achas que é tão pouquinho porque só sentes o que passa pela tua cloaquinha. Tem idéia de quantos outros, assim como você, com cloaquinhas e cloaconas, também fazem isso que dizes modestamente ser “tão pouquinho”? Pelo menos os ventos, se viessem mesmo como adivinhas, trariam as chuvas que lavariam estes pouquinhos todos. Ah, dona Montanha, não repitas isto porque as lufadas me carregariam longe, me jogariam contra tudo e contra todos, e a chuva me encharcaria as penas até não poder mais voar. Eu poderia sobreviver sem cantar nenhum dos meus muitos cantos, mas não sem uma só das minhas asinhas, que se quebrasse. De imaginar já me borro todo. Não, não, Pintassilgo! Tenho uma idéia bem melhor. Do alto da minha longevidade dou-te graciosamente um sábio conselho: não penses. Não imaginar coisa alguma fará muito bem à tua saúde... E também à tua flora intestinal!

(Segue)

Foto de Dennel

Pragas caseiras

Sagrado nectar
As formigas sedentas
Açucar na flor

Juraci Rocha da Silva - Copyright (c) 2006 All Rights Reserved

Foto de Edson Milton Ribeiro Paes

"ORAÇÃO POR TODOS NÓS"

“ORAÇÃO POR TODOS NÓS”

Meu Pai peço por mim e pelos meus...
Cuide do Sr. João, nosso padeiro, que todas as manhas
Enche nossa mesa com o carinho de seus pães...
Peço também pela família do Sr. Higa, o feirante que abastece
Nossa dispensa...
O Sr. Ferreira dono do mercadinho que complementa nossa
Dieta...
O Paulão e sua equipe são os garis da minha rua, sem eles,
Com certeza nossa vida seria um caos...
Ao Ricardo carteiro nosso anjo das boas noticias...
A Maria um doce de mulher que mantem nossa bagunça arrumada...
Ao Sr. João nosso vizinho, sabe aquele que tem um cachorro chato,
Mas que é um eterno guardião de nossas casas...
Ao Sr. Olegário, aquele que vez ou outra entende nossos apertos e paga meus cheques, mesmo sem saldo...
Ao Luiz, aquele amigo chato, mas que sempre esta presente pronto
A ajudar...
Ao Coelho meu quase irmão, tão carinhoso com todos nós...
A Nê meu amor que fala comigo sem sequer abrir a boca...
A minha mãe, aos meus filhos, aos meus netos, a meus primos, tios cunhados, cunhadas, sogras, sogras??? Sim, tenho duas, uma ex e outra atual, excelentes pessoas, a minha ex-mulher, a todos meu Pai, proteja com seu manto sagrado, que a melhor fatia do bolo seja dividida quantitativamente a eles, que o melhor dos sentimentos seja atribuído a todos eles, que todos sempre gozem de uma excelente saúde...
E a todos de POEMAS DE AMOR, meus mais novos amigos, meu Senhor, dê saúde, paz, tranqüilidade e que permaneçam com esta habilidade de escrever o amor em toda sua plenitude, no mais meu Pai, devo agradecer por tudo que sou e consegui nesta minha vida!!!

Foto de Carmen Lúcia

Alma em luto

Hoje trago a poesia
Fechada em meu peito,
Guardada com jeito
Pra não extraviar ...
São versos profundos
Arquivados na essência
Do que me há de sagrado,
Pra não se profanar,
A silenciar...

Trajados de dor,
De partida, de amor,
Da saudade que ficou,
Lembranças a rolar...
Do luto que sinto
Do pranto que insisto
Em não revelar...
Comigo quero guardar.

Talvez, se chorasse,
A alma aliviasse
O meu triste penar...
E as lágrimas lavassem
A tristeza que reluto
Em não se pronunciar...
O que me consola
É a poesia que aflora
Levando-me a recordar
O passado que agora
Em meu ser extrapola
E faz meu coração chorar!

Carmen Lúcia

Foto de Mentiroso Compulsivo

Vida & Pilatos.

.
.
.

Confessei
à vida,
neste sagrado dia,
as vezes que
a vida
me enganou.
Pedi-lhe
que devolvesse
a vida que
ela me tramou.
Mas, nada
convencida,
a vida não pagou
o tudo
que me roubou.
A vida,
como Pilatos,
as mãos lavou,
e com argumento
julgou:
- A vida
que deixei vivida,
jamais
alguém enganou.
A todos dei
a vida certa.
Cada um,
a sua lei,
livremente,
escolheu
e consigo a levou.
Foi condenado
à morte
tudo o que dexei
de viver.
À vida,
pedi-lhe perdão,
perante os factos,
obteve a razão,
mas Pilatos, não teve,
NÃO.

© Jorge Oliveira

Foto de Dirceu Marcelino

FELIZ PASCOA - Na pessoa de CECI POETA, a quem escrevi agora, em seu comentário homenageio a todos colegas poetas

*
* Homenagem a CECI POETA e a todos os amigos...
*

Representada pela alma das crianças,
Multiplica-se a comemoração,
Enchendo noss'alma de esperança
E fazendo transbordar do coração

A água limpa que em riachos avança
Permitindo a cultura e a devoção,
Sem apagar a chama na andança,
Dessas crianças na busca do pão.

Não do pão esbanjado da comilança,
Mas do "pão sagrado", que em oração,
Devemos comer e refletir que ele amansa

A ira e o olhar desarroado do dragão,
Da maldade, enfurecido, cujas chamas
Apagarão-se com o vinho da redenção...

Foto de Carmen Vervloet

MULHER (Dia Internacional Da Mulher)

Mulher

Mulher...
Mão que segura... Guia...
Desata os nos...
Arranca espinhos...
Borda carinhos...
Branco lençol de linho
Que envolve e agasalha...
Prateada noite de luar...
Areia macia... Lânguido acordar!...

Mulher...
Ventre que abriga...
Protege e guarda...
Colo para toda vida...
Eterno tempo...
Pré-sentimento...
Instante sagrado...
Momento consagrado
Na sua luz disfarçado!...

Mulher...
Árvore frondosa...
Forte... Mas generosa
Raiz profunda...
Fruto que alimenta...
Esteio da vida...
Não foge à lida...
Nem o sonho invalida!...

Mulher...
Não foge à luta...
E na sua diária labuta
Não perde a suavidade...
O mel da sua doce vontade
De fazer feliz...
De ser feliz!...

Mulher...
De mil faces...
Entrelaces de doçura e bravura...
Que costura a vida com paixão...
Mesmo que o mundo seja cão
Que morde a esperança...
Seu puro sorriso de criança
Anestesia a dor...
Aviva da alegria, a cor...
E neutraliza a tristeza
Que quer brotar...
Mas logo murcha como a flor...
Pétalas levadas pelo vento...
Perdidas no infinito tempo...
Sem ferir o amor!...

Mulher...
Que fecunda a semente...
Parteja a vida como nascente...
Água pura... Cristalina...
Que verte de seus olhos videntes...
Lavando tortuosos caminhos
Onde trava lutas... Constrói ninhos...
E entalha a sua marca
De guerreira da paz!

Carmen Vervloet
Todos os direitos reservados ao autor

Foto de Henrique Fernandes

SEGREDOS PARA VIVER BEM

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O sonho acabou e a noite terminou
Numa certeza que outra noite chegará
E um outro sonho no além sonhará
Abaixo as tristezas que nos extenuam
Temos de cultivar em nós ideias positivas
Fechar os olhos e pensar em alguém
Que tenha muito valor para nós
Começar os dias com sorrisos inéditos
Invocando sabedoria num ritual de paz
Numa atitude com poderes relaxantes
Para o corpo e a mente seguirem em frente
Como quem deixa a imaginação voar
Na privacidade debaixo do chuveiro
Dilatando-se suave sobre a água quente
Numa sensação de enorme prazer
Respirando com os braços leves e soltos
E cantar em voz alta o alívio profundo
Inalando e exalando o ar necessário
Para conforto dos sentimentos
Em altas e boas risadas mesmo sem motivo
Abrir todas as janelas ao bom dia da natureza
Receber na alma a luz do novo dia embelezado
Pelo canto da passarada nas cores das flores
Aumentando as hormonas do bem-estar
Receber a massagem do ar fresco da manhã
Sentindo cada um de todos os pontos nevrálgicos
No contacto apaixonante com a vida
Reflectindo um olhar sagrado de tranquilidade
É preciso reservar um tempo para amar
Namorar, estimular os desejos e sexo
Para encontrarmos muito da qualidade humana
Comunicando com as cores da paixão
São os segredos para se viver em harmonia
Com o sentido de se estar bem!!!

Foto de Henrique Fernandes

PARAÍSO DOS DIAS PERFEITOS

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Abro alas no paraíso dos dias perfeitos
Para te receber no calor do meu peito
Entra na minha luz sem preconceitos
Para este amor nascido no teu jeito

Estendo com brio pelo quanto és bela
Um tapete de belas rosas vermelhas
Para chegares romântica á luz da vela
Que acendo no teu doce mel de abelhas

Quero pegar na tua mão e levar-te
Ao colo do meu sorriso apaixonado
Brilha no meu olhar o meu amar-te
E honrar-te pelo perfume sagrado

Do templo das fontes transparentes
De onde nasce a pureza da vida
E a noite é clareada pelos amantes
Num amo-te dito por voz querida

Foto de Camherve

Recomeço

Quando tudo era silêncio,
Profundo, solitário, denso,
Ela ouviu.
Não se sabe se o som veio de dentro dela,
Se foi o vento, o tempo,
Sequer se sabe se realmente existiu.
Mas em seu frágil coração, ela sabia
Que pode ser doce o destino do qual não se escapa.
E oh - que doce a contradição
De uma presença que ilumina tudo ao seu redor,
E, ainda assim, traz consigo as sombras
Escuras, que sufocam,
Invocam
A dor.
Entre eles, uma sólida parede de vidro,
Da qual se vê tudo através,
Porém não se pode ir além.
E qual não é a tristeza
De ver um dos poucos sorrisos sinceros que se terá,
E saber que ele permanecerá ali:
Inerte e belo
E só.
Ela sabia que não podia voltar atrás,
Que havia nela marcas
Fundas demais
Mas o sorriso permaneceria puro,
Guardado, precioso como era.
Ao fechar os olhos, ela o veria
Fitando-a com o olhar sincero,
Que parecia querer vê-la por dentro,
E via.
Sem olhar pra trás, ela seguirá
Cicatrizando devagar
As incertezas que reprimiu,
E um dia - sim, ela sabia,
Que tudo seria ínfimo,
Pouco - quase nada,
Perto da luz que nasceria
E inflamaria
De seu sagrado
Recomeço.

24/02/2008

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