dor

Foto de Carmen Lúcia

Paisagem urbana

O sol começa a se espreguiçar.
É a rotina...São dez da matina.
Embaçado, pretende acordar a manhã,
iluminar a estação.Primavera?
Tão linda ela era!

O céu se acinzenta...
Nuvens?Não!Fumaça!
Fusão de azul e petróleo
sobre veículos e pedestres apressados.
Odor de óleo queimado...
Som estridente, alterado.Rock and Roll?
Não!Buzinaço a todo vapor...

Barulhos de trens do metrô...
Agitos do vai e vem...
Luta do dia a dia
pela sobrevivência...pela conveniência.
Alguém ainda dorme no banco da praça.
Cachaça?Acordar?Não tem graça.
Algo surge no céu, sem escarcéu.
Não é nave espacial...
É a lua prestigiando um luau.
(saudade dos velhos saraus)

Pontinhos cintilam fraquinhos...
Vaga-lumes?Não!Estrelinhas.
(nas entrelinhas)
Querem dar o ar da graça.
Coitadas!Tão sem graça!

E o corre-corre continua.
Agora a paisagem é crua e nua.
Luzes incendeiam bordéis...
E os sonhos?Vendidos aos tonéis.
Casas noturnas, peças teatrais.
Encenam vidas reais...
Travestis e prostitutas disputam locais,
esquinas se enchem de marginais.

O êxtase excita, alucina,
domina atitudes tribais, canibais.
Poetas observam...perdem-se nas rimas.
Um barzinho, um cantinho e um violão...
Um estampido, um grito, sirene e furgão.

Numa igreja, louvores e cânticos,
nos cantos, clamores do sexo,
e toda a fé perde o nexo...
De repente, um seqüestro-relâmpago...
Nas casas, noticiários na televisão,
em volta, grades de prisão.

Uma coruja espreita, assustada...
Espera surgir o dia
pra dormir...sossegada(?)

(Carmen Lúcia)

Foto de DeusaII

Queria Dizer-te...

Foto de RenataSchwengber

Espinhos.

Aceitei o pouco com o medo do nada.
Mal sabia eu que a dor é menor
quando o espinho é puxado de uma só vez.

Foto de Carmen Lúcia

Introspecção

Hoje me recuo.
Recolho meus vestígios,
fecho-me em mim.
Repudio pensamentos pesados,
por demais ousados
que me vestiram assim.

Recomeço pelo fim.
Apago marcas do que sou
que travam passos que dou.
Disperso o meu cheiro
que impregna meus devaneios
dissimulados, sem roteiro.

Renovo os sonhos que nunca busquei,
escondo os rastros que por aí deixei
que gritam como sou, onde estou...
Hoje refaço o destino
incisivo e opositor.
Esvazio o meu íntimo,
liberto-o do dissabor.

Desdenho o desatino,
tudo o que faz retroceder
e sofrer.Quase perder...
Os últimos acordes entristecidos
perdem-se no ar, a vagar...
Canção que não tem razão de ser,
que já não quero mais cantar,
já não quero mais dançar.

E nesse ostracismo, a me buscar,
a me encarar, me enfrentar,
confronto com meu próprio eu.
Talvez descubra o que restou,
o que morreu...
ou quem sou eu...

(Carmen Lúcia)

Foto de Edson Cumbane

DESENHOS DO TEMPO

Contemplo o tempo
Desenhando marcas no vento
Explanando as nuvens
Como deverá ser a próxima
Chuva… São desenhos do tempo!

Contemplo o tempo
Arquitectando tempestades
Que possivelmente
E simplesmente
Devastarão Cidades
Exterminarão a bonança…
São desenhos do tempo!

Que me sobrará após o tsunami
Se efectivamente despedaçar-me?
O meu coração ficará no Centro
Da Terra palpitando metro à metro
Excêntrica e eternamente!
São desenhos do tempo!

Tive amores, estive em dores
Houveram rumores de disabores
Que o tempo em nada mais
Que lembrança transformou.
São desenhos do tempo!

Tempo! Quem o pode setenciar?
Se ele é um deus de si mesmo
Caminhando cega e cruelmente
Ilusionista eterno e sempre crente
Rezando nunca olhar outrora!
Só Deus do Universo o pode setenciar!
São desenhos do tempo!

Foto de Edson Cumbane

O BIG-BANG DAS PALAVRAS

São as forças das forças
Que regem o Universo
Que me inspiram estes versos.
É a loucura que empossa
Em mim, o delírio de despalavrear
Tudo que possa estar em mim!

Nunca me admiro porque tudo é giro
Apenas miro a miragem de passagem
Quando vagueio nas vésperas da amargura.
Falo sem censura! E se ninguém atura
As verdades de mim que eu espalho
Pouco me importo e de novo: sem censura!
Duvido haver dúvidas da sinceridade
Que eu prego quando retrato versos!

Se até Titãs se amaldiçoam
Sem trégua e atraiçoadamente
Quanto mais o Homem sem mente
Que sempre de mente demente
Vai acumulando maldições e inveja.
É aí que a Terra se zanga:
E planta tempestades e tsunamis
Tornados, vulcões, convulsões sociais
Cheias, secas e num ápice:
É tudo isso que o Homem colhe!

Foto de Carmen Vervloet

Porto de Tubarão poluindo Vitória

Com as sandálias sujas de minério,
batemos na porta de cada ministério,
na peregrinação para salvar nossa cidade
soterrada por tantas adversidades...
Mas nossa voz não teve eco,
sentimo-nos como se fôssemos bonecos,
emporcalhados de pó de minério,
mais parecíamos almas penadas saindo do cemitério
ou ETS vindos de outra galáxia
tentando desvendar toda essa falácia.
Mas o barulho era pequeno
para que pudéssemos nos livrar deste veneno...
As empresas, senhoras ricas e poderosas,
pouco preocupadas com nosso alvorecer cor de rosa,
mas sim com seus altos e excessivos lucros
deixando cada capixaba maluco,
doente das vias respiratórias
nessa linda e amada cidade de Vitória.

Na peregrinação desse nosso triste destino
sou uma voz abafada, que usa o teclado, a internet, o tino...
Que grita bem alto por ar puro,
mesmo pisoteada por passos tão sujos e duros

Foto de Carmen Vervloet

Canção da Vida

Cantei... Cantei... E pensei ser eternamente feliz...
Andei por caminhos cobertos por flores
nos palcos da vida sem me fazer de atriz...

Sonhei... Sonhei... Pisei o destino com meus pés de acaso...
Enxerguei a vida com todas as cores,
levitei sobre o mar, o sol, o arco-íres, o ocaso...

Sorri... Sorri... Bebi alegrias, sorvi felicidade,
envolvi-me com o manto do infinito,
nos fios do tempo tecendo amizades...

Sofri... Sofri... Na longa jornada desta vida...
Sepultei tantas vezes meu coração aflito,
mas caminhei sem nunca desistir da lida.

Chorei... Chorei... Senti a dor sem me fazer de duro,
enfrentei de peito aberto todos os conflitos,
sorvi com delícia tudo que era puro.

Foto de Carmen Lúcia

Ainda restam os sonhos...(homenagem póstuma)

O vento move fagulhas
em minhas mãos calejadas...
Agulhas é minha harpa,
sonhos de Via Láctea.
O vento corre em zigue-zague
movendo o fadário
do diário trabalho ralo...
De sonhos, o que há de vir?

O pleonástico ser que me torno,
e me transforma em supérfluo cidadão,
sonha sonhos que não apavoram
nem sombra, nem multidão.
A fome me bate à porta,
o frio não traz carvão...
As goteiras me servem
como imundo colchão.
Os sonhos criam galácticos reinos
dissimulando a putrefação,
realidade sem nome,
de pura exclusão...
Executam o homem
em troca da devassidão

E nessa redundância caótica,
parida da enfática “velha opinião...”
prioridade moldada pelo desamor,
desnorteando o viajor,
velejo meu veleiro
sem meta, nem direção,
num mar de águas paradas
que nunca vêm, tampouco se vão.

Sem ver cais ou ancoradouro,
sequer pistas ao mapa do tesouro,
ansiando que o vento se aprume,
sopre águas e feridas,
crie ondas, movimente a vida,
pra que meu destino enfadonho
ancore em futuro risonho,
vindouro e assaz almejado...
Porque ainda me resta um legado
de sonhos, não naufragados.

co-autoras:Angela Oiticica & Carmen Lúcia
04/08/2008

"poema feito em parceria com minha inesquecível amiga, Angela Oiticica, falecida em 06/06/2011."

Carmen Lúcia

Foto de Carmen Lúcia

Vendo o tempo se perder

Ter que ficar, querendo ir,
sabendo que o tempo passa veloz
ou que velozes, por ele, passamos nós,
nostálgica sensação de não ter sido,
não ter tido, não ter ido...
Em vida, morrido.
Querer voar tendo os pés plantados,
apenas idealizando um futuro
que já pertence ao passado...
Perdendo-me em irrealizações,
tempo longínquo arcado de esperas,
trazendo o presente carregado de quimeras.

Hoje, estrada curta pra tão longa caminhada,
aspirações tamanhas esboçadas
em avenidas traçadas rumo ao sol,
por tudo o que deveria ter andado,
não fosse o peso das asas quebradas,
arrastadas por dias ausentes de arrebol
e o arrependimento de não ter ousado,
não me ter ao mundo atirado,
não me ter perdido e me deslumbrado
sentindo as vibrações do inusitado,
vivendo a intensidade dos momentos
cabíveis aos sentimentos mais profundos.

_Carmen Lúcia_

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