I - O dia começava a abrir no firmamento. A noite tinha-se retirado cansada, abrindo a boca, e o Sol de cara lavada e sorriso fresco, começava a romper por entre algumas nuvens que o tentavam, para uma brincadeira ao esconde-esconde que o Sol não estava muito disposto nesse dia. Cá em baixo, o jardim começava a levantar-se. Os cisnes penteavam impávidos, as suas penas, enquanto os pardais saltavam já de galho em galho, alegre e barulhentos, chilreando bons dias para cá e para lá, como se fossem donos de tudo.
Mais abaixo, nos canteiros, as margaridas e os girassóis abriam-se ligeiros, emprestando aos meninos que iam aparecendo, umas faces mais rosadas, e às avós que os olhavam e lhes seguravam as imprudências, uma paz mais cor de Primavera, que lhes ficava tão bem por baixo dos chapéus de palhinha com fitas de seda.