Seu moço
Eu vim da roça
Lá deixei minha palhoça
Esposa em estado de graça
E cinco filhos pra criá
Deixei uma vaca no pasto
Quase sem leite nas tetas
Uns pezinhos de mandioca
Que a seca não deixou vingá
Antes de sair de lá
Comprei sarilho pro poço
Esperança da água de novo
Quem sabe nele brotá.
Lá, deixei meu violão
Um papagaio espoleta
E tudo que pus na maleta
Foi à esperança de vortá
Aqui na cidade grande
A solidão me invade
Quase morro de saudade
Vendo ano a ano passá
Sem saber da minha terra
Se meus filhos já são homens
Ou se morreram de fome
E minha mulher como tá?
Não sou homem de leitura
Paguei pra escrever as linhas
E sem resposta alguma
Minha esperança definha.
Seu moço
Essa minha história
Já se foram vinte anos
e eu nesse desengano
Sem nunca vortá pra lá.
Mas a fé em Padrim Ciço
Não me deixa desanimá.
(Sirlei L. Passolongo)
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