Sonhos

Foto de Drica Chaves

Acróstico

*
* Acróstico
*
*

Leandro Müller

L uz de motivação
E inspiração
A nunciador de sonhos
N atural sensação
D ourada alvorada
R iso de um menino entusiasta
O saber é fonte encantada

M isterioso brilho no olhar
U niverso de sílabas
L igadas ao céu
L ivres a desenhar favos de mel
E special e único
R elevo e enlevo; paisagem azul pincel.

(Drica Chaves)
* Direitos autorais reservados.

P.S. Dedicado a um novo amigo virtual que já se faz muito especial!

Foto de Runa

7º Concurso Literário - Nas teias do teu rasto

Procuro um rosto na multidão.
Uma luz que alumie as trevas.
Alguém que conheci noutras eras
mas de quem já não recordo o nome.

Procuro na margem dos rios
atento ao murmúrio das águas
e nos desolados caminhos de pedra
onde febril me perdi
sem encontrar sinal de ti.

Vim de muito longe.
Onde o fim da noite pulsa,
nos confins profundos de uma vertigem,
à deriva nos oceanos do tempo.

Já cruzei mil caminhos.
Atravessei céus de luz e escuridão,
esgravatando a imensidão do vazio,
sem sequer cheirar teu perfume
ou o vulto da tua sombra fugidia.

Uma vida inteira não bastou
para achar as pegadas do teu rasto,
afundadas nas ruínas chuvosas do pó
e nas rugas arrefecidas dos milénios.

Talvez não passes de uma ilusão
que o vento murmura à noite nos muros;
esboço inútil que rabisco
nos sonhos cegos que alimentam
a névoa triste da minha passagem.

Foto de Runa

7º Concurso Literário - Amores moribundos

Ouço ainda o rumor dos teus lábios de cinza
a espernear de encontro às tábuas gastas do meu peito,
e dou por mim, num delírio febril,
a murmurar as sílabas nostálgicas do teu nome,
que dançam, numa vertigem de fumo,
ensombrando os versos obscuros do poema.
Um pássaro de cera derretida,
pousado no luar arruinado dos meus ombros,
digere a ressaca de um eco distante,
no vazio destroçado do papel
onde tento fixar as últimas sombras
do teu sorriso desfeito.

Vozes escondidas murmuram nos recantos da memória
a litania decadente dos ventos,
invocando, num ranger de ossadas,
a réstia contaminada de remotos sonhos
enterrados dentro de mim.
Sacudindo o feitiço,
acendo as palavras efervescentes do teu nome
e deixo-as, a queimar, no rebordo encardido do cinzeiro,
entre duas baforadas de fumo baço
e a insónia lenta da tua ausência,
renegando para os confins do poente
aquilo que já não me serve.

Esta noite, num derradeiro gemido,
entrego o teu rosto calcinado
às chamas fugazes do esquecimento
e, definitivamente, te fecho a porta.

Foto de Deni Píàia

Um segredo

Sei que estão todos ocupados
Sem tempo para ouvir meus sonhos,
Mas confiança ou sem fiança
Vou fiando esse caminho,
Tecendo a minha teia,
Costurando em minha veia
Impressões que não convencem.
O nada me apavora,
O tudo me apavora,
A imensidão me apavora,
A rejeição me apavora,
A sirene na noite me apavora,
A eficiência do mau me apavora,
O silêncio do bom me apavora.
Ora! E quem se preocupa com isso?
Estão todos pré.ocupados.
Alguém sempre sai machucado
Quando existe um vencedor.
O orgulho estampa a cara do afortunado
Difícil engolir essa dor.
O que você mais teme vai enfrentar um dia.
Rejeição é espinho que não lhe deixa dormir.
Viver é acordar de uma fotografia
E esperar a noite para lhe consumir.
Alguém sempre sai machucado
E a cicatriz da alma não sara.
Nunca mais vi o dia amanhecer nos seus olhos
E o seu sorriso refletindo o sol
Não sorriu mais para mim.
Viver é bom ainda assim.
Vou desvendar um segredo:
Eu existo!
Mesmo que ninguém note, eu existo.

Foto de KAUE DUARTE

Somos um

Sou vela que não se apaga
Que mesmo sabendo que estrelas me observam
Não deixo intimidar meu brilho
No opaco da escuridão
Eis a luz que abrange o redor
Luz da alma resplandescente
Que vem de um trafego constante de emoçoes
Verdadeira transfusão de sonhos
Fabricando prazer numa produção incansável
Sou aquele que agrega a felicidade
Publica a amizade em honestidade
Sou anjo que te responde
Pergunta que te confunde
Homem que te ama
Que te leva alem da cama
Que não te ve como um troféu
Mais um premio do céu
Que não sei se mereço
Mais sei bem amar
Sou você, você sou eu
Estamos em comum
Somos um.

Foto de CarmenCecilia

QUANTAS VEZES...

QUANTAS VEZES...

Quantas vezes num impulso,
Teu nome gritei sem pensar
Quantas vezes a vontade pulsou
E você nem pensou no meu pesar

Quantas vezes a chuva miúda
Mesclou-se com minhas lágrimas
E caminhei sem rumo, sem conteúdo
Entre espinhos, sozinha e sem rima

Vesti sonhos tão comuns
Nem liguei para as cartas
Dessa minha sina ingrata...

E me esvai de mim em densa fumaça
Pois se a razão jamais mente
O coração demente não ousou ter lente

Carmen Cecilia

Foto de Hirlana

Sempre!

SEMPRE ESTEVE EM MEUS OLHOS O MOMENTO QUE EU QUIS TE ABRAÇAR.
VOCÊ NUNCA TEVE CERTEZA, MESMO DIANTE DE TODAS AS CERTEZAS E JURAS QUE EU TE OFERECIA.
EU QUIS QUE VOCÊ FOSSE O ÚNICO.
EU QUIS QUE VOCÊ E EU VIVESSEMOS UMA GRANDE HISTÓRIA DE AMOR.
EU DESEJEI ARDENTEMENTE ESTAR NOS TEUS PENSAMENTOS
PEDI A DEUS TODAS AS NOITES PARA SONHAR COM TEU ABRAÇO, COM TUA CHEGADA E, POR MUITAS VEZES, TE AMEI A NOITE INTEIRA E, AO AMANHECER, AGRADECI A DEUS POR, MESMO EM SONHO, TER TIDO VOCÊ.
EU SONHEI COM UM FUTURO ALEGRE E VINDOURO AO TEU LADO E VI ATÉ NOSSOS FILHOS CORRENDO NO JARDIM, EU ATÉ BRINQUEI COM NOSSO CACHORRO!
VIVENCIEI O JANTAR MAIS LINDO DA MINHA VIDA AO TEU LADO E SORRI DA FORMA MAIS ALEGRE QUE MEU CORAÇÃO SENTIU.
POR SUA CAUSA EU AMANHECI SORRINDO AO LER UMA MENSAGEM NO MEU CELULAR.
PRA TI GUARDEI O AMOR QUE EU NUNCA SOUBE DAR A NENHUM OUTRO ALGUÉM. GUARDEI AS BATIDAS PULSANTES DO MEU CORAÇÃO PARA OUVIR TUA VOZ PRONUNCIANDO MEU NOME.
E, EM LUGARES QUE NINGUÉM JAMAIS IRÁ ENCONTRAR, EU ESCONDI TODOS ESSES SONHOS E MOMENTOS, COMO FORMA DE ME REFUGIAR DA TRISTEZA QUE É NÃO TER VOCÊ.
APAGUEI DA MEMÓRIA AS VEZES QUE OUVI PRONUNCIAR DE TEUS LÁBIOS O ‘NÃO’ QUE EU JAMAIS DESEJEI ESCUTAR.
ERA FIM DE NOVEMBRO, VOCÊ SE FOI, VOCÊ QUIS IR. E HÁ TEMPOS ESTOU AQUI, NO MESMO LUGAR, COM OS MESMOS SONHOS E LEMBRANÇAS, ESPERANDO UM DIA EM QUE VOCÊ ME DARÁ NOVAMENTE A CHANCE DE SER FELIZ…

Foto de Fernanda Queiroz

Olhos de menina

Olhos de Menina

Queria olhar-te com olhos de menina
Dar-te um abraço apertado
Desprovido de fardos acumulados
Ou dos lábios silenciados
Queria passar por esta porta
Sem que ela gemesse
Como o pranto que não segurei
Ou como os gritos que não dei
Queria sentir que a esperanças
Não se transformasse em lembranças
E o teu rosto poder ter
Por todo meu viver
Não quero escrever triste
Você sempre foi mais que alegria
Que habita todos meus dias
Que faça com que eu exista
Mas sei que está sendo profundo
Pois você é o meu mundo
Não há como negar
Ou tentar enganar
Por você imploraria
A quem fosse dono e senhor
Por você me humilharia
Em qualquer crença for
Pedir-te-ia com jeito
Ressoando eu meu peito
Este mais puro amor
Ver surgindo do nada
Uma mão espalmada
Que fosse grande o bastante
Para apenas por um instante
Transformar sonhos de dor
No milagre do amor.

Fernanda Queiroz
Direitos Autorais Reservados

Foto de Carmen Lúcia

Não digas nada!

Não digas mais nada!

Teus olhos já disseram tudo.

Mudos, fizeram-me entender

o que tuas palavras sonoras

foram incapazes de dizer.

Perderam a força, a elocução

e na indecisão mudaram de rumo,

acovardaram-se perante a missão.

Nelas eu não iria acreditar.

Não me atingiriam tão fortemente

quanto teu olhar.

Esse sim, calou-me fundo...

Tiro certeiro, profundo,

que me fez cambalear,

perder o chão, rodar o mundo,

chorar.

Como descrer da crueza de um olhar?

Final inconsolável para quem ama

e se vê inesperadamente só,

sem mesmo o consolo da ilusão

tendo a presença constante da solidão.

Dor inigualável ao ver fragmentados

os sonhos,

outrora tão sonhados...

Agora, farrapos atirados ao chão.

E os próximos passos

tornar-se-ão pesados, drásticos.

Deixar o tempo passar, tentar esquecer.

Tempo que não passa...

Teima em retroceder!

Achar motivo pra sorrir...

Como? Se a razão de meu riso

não está mais aqui?

Viver por viver.

Ou sobreviver.

É o que tento, o meu intento.

Sentindo na alma um frio gelado,

o coração pulsando fraco.

Vivendo dias sempre iguais

que projetam no ar

um quê de "nunca mais..."

(Carmen Lúcia)

Foto de Carmen Lúcia

7º Concurso Literário: "Nosso amor"

Como comparar amor à dor?
Seria negar nossa própria existência
regada da sublimidade maior
envolta de enorme querência
a nos unir e nunca nos sentirmos sós.

Nosso amor... Único e onipotente...
De almas compatíveis, sentimento contundente
a quem a vida consagrou...
Sem lágrimas, sofrimento ou rancor;
embora lamente todo o desamor que vigora
e cospe agruras no mundo de agora.

Amor construído de essências,
conteúdos sólidos,
razão e emoção
caminhando lado a lado,
desprezando a embalagem,
fogo de artifício que explode,
ilude, resplandece e morre.

Se porventura a dor nos rondar
e nos flagrar colhendo sonhos,
de imediato há de recuar
derrotada por nosso sorriso,
gládio protetor e incisivo
a refletir nossa felicidade.

E o amor perfeito, cultivado,
flamejará, sacramentado
dentro de nosso coração
refazendo a crença no amor sem dor,
reacendendo sentimentos abatidos,
ressuscitando amores que morreram
antes mesmo de terem existido.

Carmen Lúcia

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