solidão

Retrato de Bira Melo

LIBIDO DE UM MENINO.

'Tou só sem um denguinho
Só quero um carinho
Pra mim se esquentar.

Só quero um colinho
De mãe bem quentinho
Um peito cheinho
Pra mim de mamar.

E quando eu crescer
Não quero mais ter
Nem ninja, nem cobra
Pra mim se casar.

Só quero formosa
Bonita e cheirosa
Uma xana gostosa
Pra mim saciar.

Bira Melo in "Há um Anjinho de CARvão".

LOBO SOLITÁRIO

HOJE MIN SINTO COMO LOBO
POREM SOLITÁRIO
QUERO GRITAR
QUERO FUGIR
QUERO MIN ESCONDER
MAIS FICO APENAS
NO MEU PRÓPRIO SILÊNCIO
SUSSURRANDO BEM BAIXINHO
DIZENDO QUE TE AMO EM SEGREDES.
ASSIM EU MIN ESCONDO
PARA NÃO SER VISTO
E FUJO PRA LONGE
PARA QUE TU NÃO VEJAS MEU SOFRER
E COMO UM LOBO SOLITÁRIO
EU VOLTO AMIN ESCONDER.

Retrato de Sonia Delsin

DISFARCE

DISFARCE

No dedo sem anéis.
Ausência.
Toda a paciência.
Para viver os dias sob o sol...
Toda a paciência para recordar os ontens.
E disfarçar a esperança dos amanhãs.
Ela caminha resoluta.
Ninguém conhece a verdade absoluta.
E nunca vai conhecer.
Tão bem ela consegue esconder.
Embaixo do sorriso franco, do sorriso branco.
Mora a lágrima contida.
Com uma dor no peito ela vai levando a vida.

Retrato de CarmenCecilia

QUANDO EU SONHAVA VÍDEO POEMA

POESIA
JOANINHA VOA

EDIÇÃO
CARMEN CECILIA

MÚSICA
UN NOM D' UNE FEMME

Quando eu sonhava

Sempre que eu sonhava
Pensava ter teus sonhos
Nos meus!...
E no sonho
Eu via-te e sentia-te
E quando acordava
Tu estavas lá
Não eras uma imagem
Fugidia
Eu tocava-te
E alcançava-te
Sabia de prazer
E de dor
Agora desperta
Que vejo eu?
Raio incerto
Um trajecto
Descaminhado
Vagão descarrilhado
Imensa solidão
D´um pensamento
Atrofiado
Que nunca foi projectado
No tempo que era tempo
No tempo que era dado
Quando eu sonhava
Pensava que tínhamos
Os mesmos sonhos
Os dois!...


Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Mãe... doação da vida!

Saltitam múltiplas e variadas emoções...
Dos filhos às mães em todas as nações
Não só pelo simbolismo do significado
Mas pelo realismo tocado e vivenciado

Foi lá do ventre...do âmago...do nascimento
Por onde fomos tecidos...cuidados...paridos!
Amar a mãe é louvar à sua própria origem
O mesmo que rezar e abençoar à terra

Por fazer brotar das suas entranhas...
O alimento suculento que nos sustenta
Sim! A maternidade é algo sacrossanto
Colo...berço...doçura...começo do começo

Formação do caráter e seus avanços
Poço de ensinamentos e sentimentos
Pedra lapidar dos mais variados encantos
Todos nós devemos nos prostrar com cantos

Louvando a Deus e às mães em muitas orações
Pela vida...suas feridas...carinhos e devoções
Não consigo imaginar...versar...vibrar o coração
Sem surgir a imagem de minha mãe na pulsação

Embora entristecido por não vê-la aqui em ação...
Poder dizer-lhe ao seu pé d’ouvido minha gratidão
Entoar-lhe carinhos, afagos... mimos em profusão

Adoto a todas as mães como se minhas fossem...
Enviando-lhes o meu sincero e melhor dos desejos...
Aperto quentinho de abraço...num cheiro...num beijo!

Hildebrando Menezes
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 04/05/2008
Código do texto: T974554
http://recantodasletras.uol.com.br/homenagens/974554

Homenagem: Permitam escolher 4(quatro) mulheres mães
para ofertar este poema, sem demérito às outras:

Ceci_Poeta
Fernanda Queiroz
Rosana Buarque
Enise...

Sintam-se todas as demais mães, aqui também representadas,
e a minha, lá do céu (Aida Nardi Menezes) acariciada.

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Uma prece a Deus - Video: Enise e Texto:Hilde


Uma prece

Quero pedir ao Espírito Divino...
o dom de olhar, sonhar, orar
e escutar mais. Falar e chorar
cada vez ainda menos.

Olhar nos olhos de quem sofre,
ama, padece, crê e se admira...
sem inveja, desprezo ou ira.

Quero meus ouvidos em sintonia...
sem fazer juízos...mas com atenção...
aos gestos, carinhos e emoções.

Que eu tenha a sabedoria de saber ouvir...
mesmo quando a palavra me seja dura,
áspera, injusta e caluniosa. Apenas ouvir...

Que eu deixe meus sonhos fluirem sem
os ruídos do insensato pessimismo...
mas que façam re-nascer em mim
o amor mais puro, vigoroso e sublime.

Que de tanto sonhar... meus
sonhos se realizem e eu possa
amar e ser amado...e se isso
não ocorrer... que eu não perca
o encanto de continuar amando .

Que eu ressuscite a todo instante....
quando meu coração estiver morrendo,
de sofrimento ou de desengano. Que
eu me levante, estufe o peito e vá em
frente...sempre corajoso e valente.

Que tudo continue a me fascinar...
minha inspiração a brotar e não
deixe nunca de conjugar o verbo
amar...amando e amando somente.

Que eu faça do silêncio...meu amigo...
que meus movimentos sejam de paz.
Que eu busque sempre o bem...mas
que também esse bem não me deixe.

Que eu não canse de versar...
e escreva sempre os meus poemas.
Que a luz da inspiração brote lá no
mais profundo do Espírito Santo.

Que eu seja mais sentimento...
que meros e simples pensamentos.
E que a compreensão seja a morada,
onde possa descansar a cabeça cansada.

Que meus atos sejam amorosos...
menos raivosos, mais ternos e dadivosos.
E que minhas palavras alimentem...
outras mentes... plantando sementes...
de consciência, sabedoria e plenitude.

Que os frutos que nasçam dessa seiva...
sejam doces e saborosos e a sua colheita,
as suas plantas dêem o sustento aos
velhos famintos e às crianças.

Que minha oração saia do fundo d'alma...
voe leve rumo aos céus e retornem à terra...
com a sua benção...curando aos
doentes e dando esperança aos
descrentes e dementes.

Que em todas as dimensões...
planícies ou montanhas...estradas...
terra, mar e ar...o calor do afeto
me acompanhe e eu o re-distribua
com sinceridade e exuberância.

Que a harmonia da natureza viva
comigo em todos os instantes...
criando e recriando constante.

Que minhas lágrimas sejam de alegria...
cessando às de sofrimento e lamento.
E que as minhas dúvidas se dissipem.

Que a dignidade do empenho e esforço
pelo meu trabalho... me recompensem...
numa velhice tranqüila e serena...
e que eu tenha o calor do seu amparo.

Que eu nunca sofra do mal....
do medo, da morte, ou abandono,
mas que eu o aceite como dono...
Deus Todo Poderoso...
dos meus passos e do meu destino.

AMÉM!
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Hildebrando Menezes
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Veja em video
Uma prece...
http://www.youtube.com/watch?v=yYCMbGQclUY

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

Centelhas...

Com seus nervos em frangalhos
Todas suas veias se incendeiam
O poeta está calado...assustado!
Meio trôpego... meio baratinado

Está entorpecido...pobre coitado!

Sonhava, aspirava, ansiava,
Desenhava, previa, queria,
Desejava, rascunhava, antevia
Pelo amor da sua triste vida

E como versou enlouquecido...
Seus gritos, sussurros, murmúrios
Palavras com e sem sentido...incontido!
E distraído...sem nenhum alarido...

Pela milimétrica fresta... ela entrou!

E o atingiu bem no alvo
Ele baqueou e quedou...
Seu coração irrequieto...pulou!
Num acelerado movimento pendular

Ritmo ensandecido da paixão a pulsar

Agora cambaleia como ébrio louco
Anestesiado...atingido...pelo torpedo!
Está invadido por imagens e sons
Sonhos e realidade se misturam...

No vazio...no conteúdo...da sua poesia
Nos impulsos...desse susto...fantasia
Projeta seu mais alto vôo ao paraíso...
Onde a terá em seus braços cansados

Àquela amada por tanto tempo sonhada
Cantada e decantada pela estrada...
Nas suas caminhadas...nas disparadas
Almejando a felicidade como morada

E tudo agora como num passe de mágica
Se aquieta à sua volta...como reviravolta
Porque ela acenou... chegou! Sim! Ela mesmo!

A sua doce poetisa... sua eterna namorada.

Hildebrando Menezes
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 27/04/2008
Código do texto: T964075
http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasdeamor/964075

Retrato de CarmenCecilia

ANJO

ANJO

Anjo venha e me guarda
Não fique na retaguarda...
Livre me de maus fluidos
Do que não tem sentido...

Sentimentos em turbulência
E de qualquer má influencia
Venha e pouse sua mão...
Mesmo na contramão...

De todo o senão...
Diga não e dê-me a mão
Orienta meu coração...

Voe o mais alto possível
E me leve invisível...
Desse tudo que é instável

Carmen Cecília

Retrato de Hildebrando Souza Menezes Filho

ACOLHER REFLEXIVO: Uma homenagem ao site Poemas de Amor

ACOLHER REFLEXIVO

Criação e arte: Rosana Buarque
Texto: Hildebrando Menezes

Acolher reflexivo

É ato generoso...
acolher o outro.
Sonhar bem junto...
Fazer o conjunto.

Dar o colo quente...
Ouvir contente.
Abraçar somente.
Silenciar a mente.

Tocar em gente.
Olhar o poente.
Cheirar o cangote.
Dar seu suporte.

Consolar o doente.
Respeitar o diferente.
Entender a morte.
Contar com a sorte.

Não perder o Norte.
Endoidar de amor.
Curar-se da dor.
Ser sempre amigo.

Poder contar contigo.
Aproveitar o sossego.
Oferecer abrigo.
Lutar comigo.

Andar descalço.
Romper percalços.
Tecer seus laços.
Acariciar em abraços.

Vencer cansaços.
Acertar seu passo.
Apreender com os erros.
Calar seu sofrimento.

Conter seus lamentos.
Entoar seus encantos.
Pensar e ser confiante.
Versar como amante.

Adormecer pequeno.
Acordar um gigante.
Tentar ser brilhante...
Sem ser arrogante.

Hildebrando Menezes
Navegando Amor
Publicado no Recanto das Letras em 12/12/2007
Código do texto: T775460
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/775460

ACOLHER REFLEXIVO
http://br.youtube.com/watch?v=GiT0ldubqVU&feature=email


Retrato de Sonia Delsin

INTOCÁVEL

INTOCÁVEL

Acaricio levemente meus lábios macios.
A pele de minha face...
Fecho os olhos.
Acaricio meu nariz, as sobrancelhas. Os cílios.
Deslizo os dedos por entre os meus cabelos, afago minha testa...
Me pergunto:
O que me resta?
Continuo acariciando meu rosto.
Se bem que tem hora que isto me traz um desgosto.
Me traz lembranças.
Tantas mentiras.
Ou não foram?
Quem é que sabe a verdade inteira.
Choro por besteira.
Desço os dedos pelo pescoço. Busco meu colo macio.
Os ombros ossudos.
Noto que estou mais magra.
Desço pros seios.
Ainda belos.
Ainda.
Desço mais.
Paro a mão no umbigo.
Penso na minha mãe.
Num dia tão longínquo.
O dia que cheguei aqui.
Ela diz que eu sou uma sobrevivente.
Que nasci de forma diferente.
Mas que dia aquele!
Chegava uma poetiza no mundo.
Já nascia fazendo poesia.
Trazia alegria.
E também dor.
Continuo a deslizar a mão pelo meu corpo.
Membros, curvas...
Converso a beleza.
Agora eu quero falar de uma beleza intocável.
Aquela que não se alcança com dedos.
Mas com o coração.
Houve um homem que me acariciou assim um dia.
E pra ter de novo este homem o que eu não daria.

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