saudade

Cartas, prosas e poemas de saudade.
Retrato de Fernanda Queiroz

Você e Eu

Se você estivesse aqui
Tudo seria diferente
O dia nasceria glorioso
Encontrando-me sorridente

Queria um abraço apertado
Com cheiro de flores silvestre
Sentir você ao meu lado
Ai que dera que pudesse...

Em teu colo me aconchegar
E ver o dia passar
Não importa se colorido
Ou com nuvens a nublar
De tua face irradia
Em meu mundo a fantasia
De teu braço a proteção
Que ficou na ilusão
Mas foi obra do destino
Que marca no coração
Protocola na fatalidade
Toda minha rendição.

Mas não posso reclamar
De você herdei olhar
E quem sabe este jeito
Impetuoso de amar
Ou a forma de querer
De postar o saber
Ou quem sabe este som
Que aprendi entoar
È mais que um dom
Ou mais que pintar
Nas telas ou nos pensamentos
Ou nas notas a tocar

Hoje tenho o compromisso
De passar para frente
Este amor que foi omisso
Não por vontade da gente

Você nunca será passado
Viverá sempre em meu pranto
Ninguém amou tanto
Nem ninguém foi tão amado.

Fernanda Queiroz
Direitos Autorais Reservados

Retrato de Arnault L. Dias

Pelas estrelas do céu

Eu esperei encontrar no silêncio
um tanto ainda do que foi sentido
como se buscando a meu ouvido
um eco do passado... do início

Nos vestígios esparsos em mim
que ainda guardarem da história
além do pensar e da memória,
é o sentir, o que procuro enfim.

No fundo da mente, soterrado,
cavo com as unhas, garimpo gemas:
Pedaços de sonhos, coisas amenas,
que ainda fazem o olhar marejado.

E neste silêncio me vasculho,
à cata de todos os cacos de amor.
E neles, corto a carne, e nesta dor
de romper-me o peito mergulho.

Lá, tão profundo e sem senso:
Os sentidos todos, mesmo sem nexos
feito purpurina a criar reflexos,
é todo um céu estrelado, imenso...

Retrato de Siby

Orvalho da saudade

Orvalho da saudade

Quando a neblina na terra se espalhar,
Caindo suavemente nas plantas do lugar,
Suas gotas em orvalho vão se transformar,
É a mãe natureza que vem tudo molhar.

Uma gotícula transparente de muito brilho,
Que pende em um ramo de verde capinzal,
Enfeitando-o como se fosse um cristal,
É o momento único da gota de orvalho.

Se você com o orvalho se encantar,
Com suas gotas pendentes a brilhar,
Beleza da natureza que atrai o olhar,
Lembre que também estou a admirar.

Na sua ausência, o orvalho irei olhar,
Tristeza quando é demais não fica retida,
Quando a saudade apertar, cada lágrima caída,
Dos olhos a rolar, será o orvalho da saudade a brilhar.
(Siby)

Pai

Olhei para cima e ti vi
eu era tão pequena e você um gigante,
de modo que teu peito era ninho
e o braço apoio que me guiou nos primeiros passos

Olhei para o lado e ti vi
eu pensei que estava sozinha;
mas você estava comigo
éramos equipe, pai e amigo

Olhei para frente e segui
projetei-me, fui além; corri;
caí – pensei que ficaras para trás, distante...
mas, você ainda estava comigo gritando para eu levantar

Olhei para trás e não ti vi
vi lembranças, senti saudades
fiquei triste
e chorei

Olhei para dentro de mim e...
te encontrei, em minha alma, meu coração
e sorri;
você não se foi, mas vive dentro de mim

Tua vida vive em mim
quem me ver, verá tua luz; e
sendo assim, brilharei para todos verem você sorrir.

Retrato de Paulo Gondim

Conforto

Conforto
Paulo Gondim
20/11/2014

Sigo por vias indecisas, alhures
Como vaga-lume na escuridão
Minha presença pouco importa
Sou apenas mais um na multidão

Falta-me o carinho que foi seu
O afago, o afeto, você por perto
Preenchendo meu ego
E agora me apego
Na sua saudade
Esse fardo que carrego

Mas fico por aqui e ali
Esperando você passar
Mesmo em sonho
Sei que vem
E me vejo além
De sua vontade
Só uma possibilidade
De que seja meu bem

E mesmo que não veja
E por lá sempre eu esteja
Fujo de sua ausência
E nessa impaciência
Meu pensar viceja
Quero ver você
Me conforta, apenas, querer

Retrato de Maria Goreti

ADEUS OU ATÉ BREVE!

Foi com imensa tristeza que recebi a notícia do fim do site Poemas de Amor.
Não tenho entrado para postar meus escritos nem, tampouco, tenho deixado aqui comentários para os textos lidos, porém tenho vindo sempre que posso para lê-los.
Acontece que havia perdido minha senha e não estava conseguindo recuperá-la.
Passei por momentos maravilhosos aqui, fiz muitos amigos, mas a vida pessoal às vezes exige que nos afastemos por uns tempos. Alguns momentos difíceis, de perdas significativas, minha mãe foi a maior de todas elas, mas a vida segue seu curso. E, finalmente, consegui entrar aqui. No entanto, deparo com a mensagem de Miguel Duarte. Que pena!
Deixo aqui o meu carinho, o meu fraternal abraço, a minha gratidão pelas amizades que aqui fiz e que deixarão saudades e recordações para todo o sempre.
Obrigada Miguel Duarte e Fernandinha pelo carinho e consideração, que sempre recebi de vocês.
Adeus... ou, até breve!

Um grande abraço,

Maria Goreti Rocha

Retrato de Paulo Gondim

Ainda existe

AINDA EXISTE
Paulo Gondim
02/11/2014

Ando por caminhos diversos, longos, vazios
E neles, sempre encontro tua lembrança
Os mesmos caminhos que outrora passamos
Aqueles caminhos de nossa esperança

Fomos felizes. Uma descoberta nova
Difícil, quase impossível, verdade!
Mas um belo presente da vida
Apaixonamo-nos, ainda, nessa idade

E os caminhos agora se bifurcam
Andam em rotas paralelas
Se não te procuro, tu te escondes
Como barcos que perdem suas velas

Mas continuo por aqui, e não me canso
Insisto nessa saudade que persiste
Quem sabe te veja, talvez em sonho
Sonho de um amor que ainda existe

Retrato de Civana

Um Ano Em Poemas de Amor! (Acróstico Depoimento)

Muito obrigada pelo carinho, respeito, e amizade, que sempre encontrei aqui, vocês encheram meu coração de amor! Aproveito e deixo um acróstico, que criei anos atrás pra vocês, quando completei um ano aqui na casa. Muitos bjos Fernanda, Miguel, e Poetamigos queridos!!!

Um Ano Em Poemas de Amor! (Acróstico Depoimento)

U ma tristeza imensa na alma
M e fez navegar na internet, e chegar até

A qui no site Poemas de Amor.
N ão imaginava
O que aconteceria a partir desse dia,

E que tantas alegrias poderia trazer para
M eu coração.

P articipei, com receio e timidamente, do "4º Concurso Literário",
O qual já estava quase no fim do prazo,
E mesmo não acreditando muito no meu escrito,
M e joguei e enfrentei, "Porque não? Quem sabe pelo menos
A lgumas pessoas possam ler minha crônica?" Aquela que um dia
S enti no fundo da alma, e passei para o papel.

D ia 31/12/2007 - 22:46
E ntro no site, e leio, em lágrimas, o que veio me

A calentar, acalmar, e inundar
M eu coração de alegria e esperança, num dia que poderia ter sido
O mais triste daquele ano. Obrigada Fernanda, Miguel, e poetamigos que
R egem essa imensa "Sinfonia" de versos, que é Poemas de Amor!

(Civana)
Escrito em 15/11/2008 - Sábado - 13h40min

Retrato de Carmen Lúcia

Despedida

Hora da despedida.
Mais uma. Quantas mais?
Quantas ainda me reserva o destino?
Quantas lágrimas ainda por derramar?
Assim é feita a vida...
Lágrimas, sorrisos, sorrisos e lágrimas.
Alegrias parcas, instantes concisos.
Dores, mais do que se é preciso.
Melhor seria não haver
ou durarem o tempo que dura o riso.

Despede-se do que faz bem,
e ao mal, um leve aceno
com a certeza que virá também.
O bem é ameno, sereno, instável.
Vem, rodopia e docemente se vai
deixando seu gosto nos lábios de alguém.

Preciso me desgarrar...
Saber partir sem chorar,
seguir em frente, não olhar para trás,
pisar as lembranças pra não me seguirem mais.
Deixar que os lugares se esvaziem de mim...
Cada canto, cada recanto que me conhece tanto,
onde passei horas a fio dedilhando
os sentimentos que vinham me povoando
e agora choram por me ver partir.

Vou de encontro ao novo,
ao estranho , ao desconhecido.
O novo nem sempre é bem acolhido.
Mudança que me cansa,
transformação exaurida, mexe com a vida.
Meus espaços serão preenchidos...
Cada lugar de aconchego
agora tristemente deixado
pertencerá ao passado.

_Carmen Lúcia_

Retrato de Paulo Gondim

Em cada nau

EM CADA NAU
Paulo Gondim
04/08/2014

Eis que já se levantam velas
E já se vão todas do cais
Em cada barco, vai minha saudade
Eco triste de meus pobres ais

Por quem és, amada minha, que ora partes
Deixando-me cá, envolto em pranto
No vazio que minh’alma invade
Pois já se faz triste também meu canto

E ao ouvir este fado triste
O som da guitarra me angustia
Faz lembrar-me mais de ti
Pois todo fado é melancolia

E volto meu olhar ao cais
Já não vejo mais as velas
Fizeram-se em mar a dentro
Levando meu amor com elas

E o mar que se faz inquieto
No seu bramir em surdo vendaval
Gela-me o peito, fere-me a alma
Na saudade que vai em cada nau.

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