Incapacidade

Foto de Fernanda Queiroz

Esperança de outrora

Esperança de outrora.
Muitas vezes,
sou arremesso no tempo.
Em um mundo diferente,
paredes nuas e cruas,
ornamentam uma visão.
Pessoas de rostos inexpressivos,
desfilam plácidamente,
incógnitos á minha dor.
Apenas um frio corredor,
opaco na cor
sem vida ou odor
me faz perdida,
reabre ferida.
Como se fosse dono,
ou imperador,
de momentos vividos,
jamais esquecidos.
Mutila tuas pernas,
na lentidãodo momento,
impregna de inércia
tira dos braços os movimentos,
coíbe pensamentos,
espalha fragmentos,
anestesia sonhos,
faz da cama o abandono,
onde apenas o coração,
cravado em um punhal afiado,
desafia a melancolia,
saindo da letargia
gritando sem rendição,
faz do apelo uma vocação.
E como um ternor agudo,
mais forte que uma canção,
ecoa um forte grito,
por esperança, por união.
Grito que resseca a garganta,
umedece os olhos,
que copiosamente choram
diante da incapacidade
de ser mais que amor,
mais que carinho.
Que atravessa a porta
em uma hora morta,.
porque sem você,
nada mais importa.
Veja-me, estou aqui,
segure em minha mão,
deixe eu ser proteção
sem ser ilusão.
Olhe em meus olhos,
penas por um momento,
transforme este sofrimento,
na esperança de outrora.
Deixe-me dar-te minha vida,
Ou na morte me leve embora.

Fernanda Queiroz
Direitos Autorais Reservados

Foto de Rosamares da Maia

Façam Backup

Façam Backup
Eu tenho medo de que as ideias fujam de mim e por essa razão aprendi a usar o computador.

E não é bobagem, eu já vi muita ideia fugitiva, que simplesmente abandonou a cabeça de seu dono. Não é exagero!

O dono da cabeça fica com aquela expressão meio apalermada de quem come alguma coisa sem sal e sem açúcar. Tudo fica sem nenhum sabor.

Armazeno todos os dias um pouquinho de mim, enquanto lembro.

Eu vi a parafernália que ficou a cabeça da minha mãe, que inesperadamente desencontrou-se da sua vaidade de mulher, da mão para cozinhar, das opiniões sobre o mundo. Não! A memoria humana não tem backup, por isto quando um Cavalo de Tróia chamado Alzheimer de instala no nosso sistema, tudo se desalinha. Os programas armazenados na memória entram em total colapso. Na maioria das vezes somos obrigados a formatar, para tentar realinhá-los, mas, com a ausência do providencial backup, que particiona a memoria em algum lugar do disco rígido ou no HD externo, tudo simplesmente some.

Toda uma vida de estudo, trabalho, casamento, descasamento, filhos, netos, pais irmãos e amigos, tudo o que você amou, construiu e conquistou vai embora, tornando a vida um imenso vazio, onde a incapacidade de reter o conhecimento, ou pior, os sentimentos sobre tudo o que conhecemos escorre pelo ralo da memória, ou da ausência da memoria e nos tronamos indigentes.

Aprendi a usar o computador, nele protejo desta indigência todos os pedaços de mim, todas as minhas coisas, desde atos importantes da vida civil, fotos, filmes, conquistas, ideias e coisas tolas, muito tolas também.

Santa tecnologia! Saibam todos que se algum dia eu me perder na teia estranha da memoria, que aceita um trojam chamado Alzheimer, tem um botão bem na minha frente, apertem e voltem cada pedaço de mim, cada momento, em tela total, bem grande.

Salvem-me do anonimato, da perda da credibilidade humana, de não saber mais tomar banho ou escovar os dentes, de não passar rímel ou batom, de não reconhecer o meu filho e ser capaz de expressar meus sentimentos, em fim, de ter autonomia para dizer sim e não.
Por favor, me façam reaprender me revendo todos os dias enquanto a cura não vem.
Mantenham o backup da minha dignidade intacto, ou então, me deletem para sempre.

Rosamares da Maia

Foto de P.H.Rodrigues

Homem Moderno

A falta de direção é o que leva o homem a pensar
a ignorância de pensar que tudo sabe é o que leva o homem a errar
a falsa sensação do conhecimento é o que faz o homem se perder
em seu orgulho, e não consegue seus erros reconhecer

A sensação de superioridade é o que faz o homem se por no altar estando na lama
que o faz cair no chão, mas ainda assim, pensar que sonha em sua cama
Assim como a imaturidade o torna inútil,
mais cego que uma criança, não sem maldade, mas bem mais que fútil.

A incapacidade de pensar o torna máquina
que não consegue se entender,
e muitos menos consegue aos outros compreender

Tão tolo, que não consegue nem ler seus pensamentos
desiste, se joga de lado, aceita e se torna prisioneiro de seus lamentos
e assim segue o homem moderno, rumo ao desenvolvimento.

Foto de luzimar xavier

“RAZÕES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE”

“O coração tem razões, que a própria razão desconhece, faz loucuras e juras, depois esquece...”
(Trecho de “Aos pés da Santa Cruz)

Lembra-se dessas palavras (muito
Inspiradas) de certo compositor que muitos,
Lamentavelmente, por serem
Insensíveis, não são capazes de entendê-las? É
Assim: “O coração tem razões que a própria razão desconhece...”
Muitos são assim mesmo, secos, sem um pingo de

Sensibilidade e é por isso que até entendemos o porque dessa
Incapacidade de entendê-las. Mas você, que não é assim,
Logo entende o seu significado em virtude de
Valorizar isso que se chama amor e
As coisas do coração. Quando se diz que “o

Coração tem razões que a própria razão desconhece”,
Há de ser considerada a intensidade desse
Amor. É tão intenso esse amor que
Você sente por alguém que somente
Esse coração apaixonado, que é o seu, poderá conhecer. Sem
Sombra de dúvida, a razão jamais terá essa capacidade.

Elixis - 12/07/07

Foto de Arnault L. D.

Um copo de mar

O silêncio, por tantas as palavras,
é o que chega-me do que mingua,
no atropelo, que a todas trava
sem poder dizer de uma vez a língua.

A incapacidade, sólida e atroz,
da expressão ante a ideia cheia,
é a constatação de que no após,
era maior o fogo que a ateia...

Do que já existia em polifonia,
num soar de incontáveis vozes,
apenas expresso o solo, sem harmonia,
nas palavras, uma a uma, em doses.

Sei que minha poesia é tão pobre...
Um copo apenas de um largo rio,
como o troar de um sino de cobre
se esforçando a cantar no vazio.

Como posso então soar em coral
as múltiplas vozes dos sentimentos?
Não posso. Mas, posso um copo, uma nau.
Flutuar no mar que leva em seus ventos...

Foto de betimartins

Ser-se apenas feliz!

Ser-se apenas feliz!

Ser feliz é um direito e não uma opção
Apenas quem arrisca é quem sabe o que quer
Corre em direção da felicidade e a concretiza
Mas o porquê de tanta dor e infelicidade?
Porque somos oportunistas, altruístas
Estranho não tudo, isto? Consumidos!
Pelo ódio, apanhados na teia da inveja
Pela falta de sonhos apenas só nossos sonhos
E a senhora inveja como ela é a grande líder
A rainha da incapacidade, dos preguiçosos
Pois é a felicidade fica presa no limbo do tempo
Na insanidade de cada um, aquele que lamenta
E como ele se lamenta, correm rios de lágrimas
Amargas e sentidas em si, a todos os momentos
Pois é! É cega a nascença, filho da cruel duvida
Mas a felicidade anda nas estradas da harmonia
Repleta de alegria, cheia de humor e esperança
A felicidade está em cada momento vivido
No amor, na partilha, na doação, na participação
Num abraço, num sorriso, numa gargalhada
Nas mãos de uma simples criança, na pureza
Que ela nos ensina a ser feliz nas pequenas coisas
Na borboleta que te faz parar para tu admirares
Na flor que colhes, na arvore que tu plantas
No trabalho que tanto te desgasta, mas afaga
Teu dever cumprido e no simples agradecimento
Que a vida sempre é generosa conosco, sempre
Pois somos os filhos sempre tão amados por Deus...

Foto de Jessik Vlinder

Eu não Aceito

Eu posso fingir que você não existe? Bem que eu gostaria de conseguir... Eu realmente prefiro pensar que você não existe. Que nunca existiu. Ou ao menos que nunca te vi, nem ouvi... nem senti... Eu queria te apagar completamente da minha memória pra não ficar me questionando se eu vivi mesmo ou se foi só mais um sonho dessa nobre... pobre poetisa. Eu não quero mais ficar fugindo louca das lembranças e me vigiando o tempo inteiro para não pensar em você. Não quero ficar tentando me conformar com a tua indiferença, inventando desculpas tolas pra mim mesma na tentativa de justificar tua frieza. Não quero mais gritar de hora em hora dentro dos meus vácuos sentimentais que você não me merece e que tenho que esquecê-lo. Estou cansando – com medo – de perceber que estou começando a sofrer de novo depois de tanto tempo. Não quero me conformar com isso. Quem pensas que és? Meu Deus...! Quem é você pra me fazer sofrer? Pra me deixar assim! Tu não deves passar de mais um moleque de vinte anos, insosso, imaturo, inseguro e incapaz de me fazer feliz. Só mais um rosto (e corpo, e voz, e olhar, e beijo...) bem desenhado no qual eu pintei um semblante que não existe, uma máscara ao meu gosto atropelando tudo – ou o nada – que você é. Te tendo pra mim exatamente como desejei... até a tinta da máscara se esvair totalmente, me fazendo perder a vontade de te ter, pois já não é mais o que eu pintei, inventei, fantasiei. Serás o que realmente és e isso – esse – não me apaixona, não me faz feliz, não me satisfaz... Injusto? Muito! Eu sei que fazer isso é injusto. É como se eu “os” tratasse como telas brancas, vazias, prontas para serem o que eu quiser que sejam. Mas isso não é problema meu? Não sou eu que me iludo e me desiludo quando minha obra prima perde o prazo de validade? Eu os uso? Talvez... Mas eu me dou! Me dou tão intensamente que eles acabam ganhando mais do que eu! E eu ganho? É como se não houvesse uma partilha, como se só eu me doasse – pra eles e pra mim mesma – já que eu recebo deles uma realidade – uma mentira na verdade – que vem de mim! Por tanto o defino como só mais um... Mais um que vai me pertencer e não me ter. Não esperarei mais nada de ti além da tua insignificância, além do que tu tens de igual a todos, além da tua insensibilidade e incapacidade de me ver, me ver como realmente sou. Vai ser simples como sempre é, como sempre faço. Vou acordar amanhã e levianamente dizer “Não te amo mais” com a mesma facilidade de todas as outras vezes. E mais fácil ainda porque – acho – nem cheguei a amá-lo. Sim, eu sei... Antes que alguém venha me ‘informar’ do lado bom das coisas, tipo: “Ah, mas nós sempre aprendemos... Claro que foi uma partilha... Você não pode tentar esquecer assim já que foi tão bom... foi bom enquanto durou... blá blá blá...”. Eu sei... Sei disso. Sei bem o que aprendi. Mas se eu me perguntar “Faria novamente?”? Sinceramente? Tenho medo da resposta. Foi tão bom que talvez eu trocasse “dez noites mais felizes da minha vida” só para senti-lo e tê-lo em meus braços novamente. Agarrar-me com mais intensidade ainda – se é que é possível – a cada detalhe daquela noite e extasiar-me da mais pura troca de prazer, de sentimento e talvez de felicidade. Porém, eu também seria capaz de trocar “dez noites mais tristes da minha vida” só para não sentir essa angústia que quer me destruir agora! Que vem tentando me diminuir e me convencer que sim... estou sofrendo novamente por um homem...
Estou buscando desesperadamente orgulho dentro de mim para poder superar essa loucura. Já que não vou pedi-lo para me esquecer, vou esquecer da fração de mim – que agora é imensa! – que tanto te quer e desprezá-la como deveria fazer com você – e não consigo. Vou dar a ela a indiferença e a pouca importância que está dando a mim e ao “que vivemos”, porque talvez assim eu consiga dormir. Porque talvez assim, fingindo que te atinjo ao me atingir eu volte a minha realidade e pare com essa ideia boba de sofrer por você...

P.S.: Pelo menos para inspirar-me tu serves – mesmo sem saber.

Foto de Carmen Lúcia

Recônditos

Recolho versos dos dias,
palavras de intensa magia
que traduzam os vazios,
onde sonhos esquecidos
esperam, adormecidos...

Onde a breve euforia
ao atingir o seu ápice
agoniza em nostalgia
desfazendo seu disfarce...

Onde o frio do inverno
congela almas em desatino
que não puderam seguir
o lacônico destino...

E pelos cantos das esquinas
escondem o desencanto
do trágico fracasso
atribuindo ao acaso
a frágil incapacidade,
a impossibilidade
de olhar para o céu
e enxergá-lo azul...

Nos recônditos do mundo
mora um silêncio profundo
de um grito sufocado,
pedido de socorro,
engasgado,
onde seres choram versos
transtornados
clamando por fagulhas
de luz, de blues...

E da dor vejo nascer
a mais bela poesia
a resplandecer
sob a luz do dia.

_Carmen Lúcia

Foto de Rose Felliciano

DESAFIOS

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DESAFIOS

“Não creio que a distância
seja um obstáculo intransponível.
Nada é mais difícil que a incapacidade de tentar.
Enxergar além do horizonte é possível
Eu bem sei...
Longe é o mais perto que cheguei” (Rose Felliciano)

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*Mantenha a autoria do Poema*

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http://www.rosefelliciano.com/visualizar.php?idt=2792017

Foto de João Victor Tavares Sampaio

Platônico

Eu te amo por incapacidade

Eu te amo por inabilidade
E incompetência;
Eu te amo por conveniência
E instabilidade;
Eu te amo por inexperiência
E imaturidade;
Eu te amo por carência
E por casualidade

Eu te amo por beleza
E por safadeza;
Eu te amo com franqueza
E com sinceridade;
Eu te amo com fraqueza
Com insalubridade;
Eu te amo com a certeza
Da veracidade

Eu te amo por falência
Com facilidade
Eu te amo na aspereza
Da incredulidade

Eu te amo por força de vontade

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