AS VOLTAS QUE A VIDA DÁ
Numa destas voltas vocês iam se encontrar.
Era uma profecia?
Não sei.
Eu sentia.
Que numa das voltas da vida ele perceberia.
E tu também entenderias.
O amor, por fim, venceria...
Um passo, dois passos...
Quantos forem necessários, meu bem.
Se for preciso lutar também.
Mas busquem.
Reconquistem o que perderam.
O futuro é incerto.
Mas eu acredito que possa dar certo.
A FLOR QUE TU NÃO REGASTE
Tu deixaste que morresse a rosa.
Deixaste.
Nem ligaste?
Se sofreste, disfarçaste.
E tão bem.
A vida é uma roda.
Uma roda de vai e vem.
Numa destas voltas da vida talvez repares também.
Que a rosa não morreu de todo.
Ela agonizou.
Quase pereceu.
Mas por um destes encantos do mundo, ela refloresceu.
AMOR DE MÃE
Meu primeiro olhar encontrou o teu lindo olhar.
Meu coração já pôde descansar.
Tive a certeza naquele instante, mãe, que sempre e sempre irias me adorar.
MORTO ESTÁS
Aqui jaz.
Morto estás.
Morreste pra vida.
Pra lida.
Morreste e que triste despedida!
Morreste pro sol, pra lua.
Morreste em plena rua.
Da amargura.
Dizes.
A vida é dura.
Não compreendeste como antes tua vida era doce e era pura.
DESCONHECIDO
Entraste em minha vida de uma forma singular.
Nunca vou conseguir contar.
Chegaste mansamente e meu caminho vieste mudar.
Parece que vieste me ajudar, me guiar.
Eras apenas e tão somente um desconhecido.
E te tornaste o meu querido.
Passa o tempo, os anos passam...
Eu penso, repenso.
Por que passamos a amar tão de repente quem não fazia parte da vida da gente?
Por que só de ouvir uma voz amada já fico contente?
Desconhecido.
Por que o mundo te mantinha de mim escondido?
MORREU?
Neste coração que se fechou o amor acabou?
Morreu?
Só cinzas restou?
Neste coração que tanto acelerou tudo se aquietou?
Morreu?
O disparar, o se inquietar?
Morreu o esperar?
A desilusão nunca vai passar?
Morreu?
Tantas vezes a pergunta.
Morreu?
O que aconteceu?
Por que este coração se transformou?
Por que ele nunca se conformou?
Morreu?
Quem sabe se isto é morte. Se é vazio.
Se é apenas e tão somente um coração que tenta aparentar-se frio?
EU... MENINO
(para meu amado amigo Luis)
Eu menino
A sorrir
Tão belo meu existir
Tantas ilusões, sensações
Tantas emoções
Olho no espelho
Fico a olhar, a olhar
Examino meus traços
Parece que ouço passos
Um menino está se aproximando
Ele vem mansamente chegando
Não se contenta em chegar
Ele quer brincar
Cantar
Gritar
Não tem força no mundo que consegue este menino derrotar
No meu peito ele vai pra sempre morar
Quando o mundo vem me machucar é ele que consegue me animar
Eu... menino
Eu eternamente... no coração... um menino
DISFARCE
No dedo sem anéis.
Ausência.
Toda a paciência.
Para viver os dias sob o sol...
Toda a paciência para recordar os ontens.
E disfarçar a esperança dos amanhãs.
Ela caminha resoluta.
Ninguém conhece a verdade absoluta.
E nunca vai conhecer.
Tão bem ela consegue esconder.
Embaixo do sorriso franco, do sorriso branco.
Mora a lágrima contida.
Com uma dor no peito ela vai levando a vida.
UMA ÚNICA VEZ
Uma única vez a satisfaria?
Ela pensou que sim.
Que bastaria.
Mas não lhe bastou.
Quando ele a beijou ela pensou.
Quero este homem ao meu lado todo dia.
Ao lado dele sinto tanta alegria.
A vida permitiria?
Só o tempo é que diria...
NA JANELA DO PASSADO
Eu ficava na janela debruçada
Ficava olhando a noite estrelada
Parecia que ela me dizia
Parecia
Que ela me dizia que eu era tua amada
Nada me afastava da janela
Nem o vento da madrugada
Eu ficava lá parada
Parado ficava o meu corpo
Porque nos pensamentos eu voava
Nos meus devaneios eu te encontrava
Te abraçava
Te beijava
Éramos pouco mais que dois adolescentes
Tão inocentes
E crentes
Deus, até hoje eu lembro o gosto do primeiro beijo
Lembro do desejo
E lembro dos nossos risos
Do nosso primeiro olhar
O tempo passa
Vai carregando
Vai levando
Tanta coisa vai apagando
Mas algumas vão ficando
Hoje estou lembrando
A janela, eu debruçada
Naquele tempo eu me sentia plenamente amada
Plenamente amada
Era tão jovem e bela e adorava ficar sonhando na janela
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