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O teu amor mudou toda a minha vida
Toda a intimidade que eu escondia nos sentimentos
Fica exposta como estrelas em céu limpo
Rimado em versos de paixão entre as constelações
Os trajes de amor que exibo por ti são muitas vezes
Mal entendidos que a própria distância traduz
E a saudade dá espaço a novas certezas incertas
Refugiando o desespero em procura de tranquilidade
Acordo mal disposto por ocupar o lugar errado
Onde o longe é realçado num reboliço de carências
Que combato num abraço apertado á almofada
Sabendo que de ti chega uma espécie de força
Obrigando-me a erguer os dias acima de qualquer mal
Espevitando livre o meu espírito num compilação
Sorridente que aglomera boas sensações
Rubricadas em bons sonhos que partilhamos
Sim, porque tu me dás bons sonhos todas as noites
Sonhos oferecidos pelo conforto da nossa combinação
Ainda por saber se perfeita ou não
Saciamos lado a lado um começo atribulado
Que apesar de tudo temos cravadas nossas garras
Num vento soprado por nós com força de amar
Somos tempestade ainda na bonança
Á espera de despertar vendavais de felicidade
Num quotidiano de toques afirmando o nascer da vida
Do nosso dois em um ainda a zero materialmente
Mas já de milhões bem-dizermos na alma
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Sempre sonhei
com uma mulher que não existia
Ai o que eu procurei
por todos os recantos dos meus desejos
Nunca chorei
porque conhecia os seus beijos
Chamaram-me louco
e outras tantas coisas do género
mas sabiam tão pouco
sobre a minha confrontação
com a perseguição que fazia
dessa mulher
Sobrevivi afinal
e cá está ela á janela da minha estrada
paralela a mim para uma recta final
para o resto de uma vida apaixonada
com tanto para nos darmos
As curvas contra curvas
ficam agora para trás
tornando-me impermeável
a qualquer mal
Ela é tudo e muito mais
Ui
muito mais do que sou capaz
Agora que a conheço
Sim agora, sei que sou louco
confesso
tão louco por ela
Tu
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Procuro encontrar um novo estilo
Que sirva de machado para rachar
As portas dos confins do meu covil
Iluminado por uma luz de penumbra
Esventrando o sabor seco da sede
Escavo túneis com mãos de misericórdia
Na vontade que esculpe o que não quero
Ser selvagem domesticado da irreverência
Subsisto em batalhas entre o ser e não ser
Feito na envergadura brilhante das estrelas
Sem esgotar os elementos, júris da razão
Como gente sou componente da vida
Garantindo marcar a minha passagem
A minha alma é uma assembleia de fés
Sossegando o sentido sem opostos
Nos pontos cardeais apagados
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Ao sentir que o tempo me foge na pele
Deixo cair o pensamento num fosso de razão
Parando o meu respirar no conforto de uma reflexão
Que não desmente o sentido sem prática que me adoece
As fantasias inóspitas que me enganam o ego
Sendo tocado por um vento frio de norte
Chegado numa nortada de sentimentos carentes
E desabrigados nos meus gemidos de socorro
Que me gelam o olhar com melancolias sóbrias
Quebrando-me a voz na alma embriagada de nada
Por vácuo de silêncio que exibo nas mãos
Mantendo-as estendidas a uma esperança ténue
Que ganha corpo no longínquo que me chama
Com chamamentos de um amor que não se apresenta
Nem a mim chega através de uma cortina de medos
Ao de leve absorvo uma paixão que bate á porta
Sinto-a como um chá bem quente de loucura
Um fervor percorre a todo o vapor o meu corpo
Vigorosamente desmaiado sobre um ninho de solidão
Onde evito lamentos e atiro-me em queda livre
Ao desconhecido que tão bem conheço
Tratando por tu os mistérios dos meus desejos
Após ter reflectido sinto-me perto de um sol verenal
E caminho pelo meu defeito por defeito de sempre
Em ilusões de uma guilhotina suspensa á minha espera
Baixada por desilusão que abraça o meu chegar até hoje
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Fala-me em silêncio e deixa dançar as horas
etiquetadas nas palmas das minhas mãos
que bebem a tua volúpia sensual
Deixa-me ouvir os versos que sussurras
no meu pescoço enquanto
Ouço o meu respirar no teu cabelo
O meu peito senta-se no colo dos teus seios
preenchendo a distância que nos falta
para lá do que quero que seja
Sem palavras
minhas mãos escrevem amor nas tuas costas
expostas ao meu toque
A musica já esquecida
na descida das tuas curvas
pela recta do meu desejo
invadiu-me
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És prosa poética nos meus olhos
falante
Superas o meu ideal de mulher diante
das rosas silenciadas pelo quanto és bela
e canto
O tanto que me sabes bem
Esperei quase trinta e sete anos
pela tal que não existia
tu és
Logo existo e não insisto seres minha
Esqueço o Inverno no florir do teu sorriso
Caindo no sério merecer-me ser teu
rodopio
A céu aberto nas asas que me dás
para pousar em ti
És a coreografia do meu destino
um breve estar para sempre a cada instante
Que conquistamos nas lutas do recíproco
que ambos declamamos
Dou-me ao teu dar-me
Segurando a tua mão no meu peito
para que ouses ouvir o teu nome
na minha pulsação
Sente as cores que nos rodeiam
e em nós semeiam a vida
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Deixo-te a sós com as sensações que te provoco
com a minha forma de estar
Convencionando as razões que procuro em ti
encontro
Dou-te o meu tempo
para que possas avaliar por ti a fora
bem dentro do teu íntimo o ser quem sou
sem que me faças sê-lo
já o era
O quer que sintas a meu respeito di-lo a eito
ao meu peito sem que mintas
Sei que não mentes
tal e qual eu sentes
Pureza
Servida á mesa das nossas emoções
De ti sai o especial que senti
o ser que acontece pelos prados
das minhas mãos abertas que te esperam
no tão perfeito do teu ser
nas ofertas que te faço sem cansaço
vem
Minha voz ecoa
no teu templo o vem que voa
dito sem nós que em nós canta acima do solo
desde o dia que sentaste no meu colo
o teu corpo
Nada mais preenche o meu olhar senão tu
Estás por toda a parte de tudo quanto é belo
Em mim és arte
maior que tudo quanto vejo
Desejo
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O teu ser tem as medidas certas para me preencher
Não és mais nem menos do absoluto que me completa
Simples reconhecer-me no universo das tuas palavras
Ouço-as num altar que imortaliza a verdade entre nós
Ouço-as puramente em todos os momentos de ti
Em qualquer sentimento que em mim entra
Através dos tons inocentemente sinceros da tua voz
Escalando em mim a culpa das tuas vontades adultas
És ave voando livre pelo núcleo do meu pensamento
Tua simpatia é beleza que passeia pela minha alma
O sorriso que não consegues evitar ao meu provocar
Esculpe os teus contornos no teor da minha procura
Tu sabes tão bem pousar nos ramos da minha loucura
E fazes teu ninho na minha mais saudável leveza
De ser homem que cresce por labirintos sábios
As sensações que crio para te traduzir em mim
São emoções recíprocas á espera de uma razão de ser
Ao fundo de um corredor sem portas nem janelas
Onde o meu desejo é um corpo que abre brechas
Para o sol entrar no meu eco de paixão fundido em ti
Ancorando o que há de melhor em mim na tua aragem
Vadia pelas paisagens para lá da linha do horizonte
Em planícies de alegrias reflectidas em cada pôr-do-sol
Despontando os meus sentimentos no teu sol nascente
Esquece tua mão na minha mão que te lembrará a vida
Vem comigo ao funeral do passado
Recordando-o a meu lado
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A noite é uma melodia
Cintilante e majestosa
Rainha de magia
Tão secreta quão misteriosa
Cada estrela um encanto
Que enche de alegria o olhar
E ao brilho da lua canto
Rodeado de sonhos a cintilar
A noite também tem um desdém
Uma face triste no serão
Tirando a noção de ser alguém
Sem culpa de solidão
A noite também é descanso
Lençol de silêncio e paz
É infinita de imenso
O lado real que o sonho trás
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Detenho o silêncio com um gemido
Que verte a falta da tua presença
Anulo a escuridão num verso sentido
Comprimo distâncias na tua confiança
Vou encontrar o por descobrir em ti
Hipnotizo a vida no fio da tua afeição
Destranco a autonomia de te ter aqui
Deambulado no planear do coração
Cais água no lago das minhas ideias
És flora que me adorna de energia
Tua virtude é resplendor das candeias
Que afogueia a cegueira do meu dia
Falas um silencioso clamor de amor
Alma sibilante ao tímpano da verdade
Abraço estendido a colher teu fulgor
Neste baile ao faro da tua maturidade
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