Conseguir viver
com sua ausência
é uma operação mais complicada que
pacificar o Iraque
Coração reclama
a falta do banho revitalizador
de tulipas vermelhas
que sentia ao pulsar
sob seus melífluos,
cuidados & carinhos
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Ouço o teu sussurro,
em meio as borboletas
entre elas, tu se faz Fada, Musa, Ninfa
ao compor lindos mosaicos,
com o cinzel das letras.
Sinto o teu perfume entre as Azaléias,
A maciez da tua pele,
nas pétalas sedosas , me engolfar
como em um mar de ninféias
Tu és flor graciosa,
Em haste delicada, suave, formosa
Teu sorriso de ternuras,
Criva-lhe n'alma
vertiginosos espinhos de bálsamo,
qual nívea rosa mimosa
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Não adianta insistir,
é carpir na rocha,
socar ouriço
cabecear o travessão,
frágil & porosa ilusão
pobre,
lírico-tolo coração.
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Encontrei na sua alma
resíduos das asas de um anjo
mel, batom e alfenim
e no sumo do coração
as impressões digitais
de um querubim
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Essas flores que entremeias
nos arranjos da sua arte poética
ficaram ainda mais lindas e perfumadas,
qual ikebana de sensações n’alma,
um doce haicai floral
Que fragrâncias não emanam
deste arranjo multicolor,
incensadas num coleante e delicado
“vaso” de poesias & deleites
seus movimentos, inflexões, meneios
ao sopro-beijo do vento
possuem a mesma graciosidade ,
a mesma leveza sutil
que há nas curvas da jovem tulipa,
sob a brisa melíflua em fim de tarde
a mesma graciosidade,
que há no pouso da borboleta,
no mar de flores do campo,
espelhando e refratando
arco-íris perfumados n’alma
a mesma graciosidade e leveza,
o mesmo bojo de delícias
desta sublime orquídea,
que derrama de sua suave corola
aljôfares e ternuras,
no esguio tronco alquebrado
Essas flores que entremeias
nos arranjos da sua arte poética
ficaram ainda mais lindas e perfumadas,
qual ikebana de sensações n’alma,
estrelicías, gérberas, azaléias,
"cachos de acácias " ...
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Nos olhos do chacal
tu se fez bela ninfa de volúpias
entre cantatas de riachos, florestas
transmontando altaneira, divinal
árvores de pele rubras,
troncos sinuosos, carmesins
transformando-se, ora em sereia aliciante
Ora em loba coleante,
sensual
Nos olhos do chacal
Seu lábios de matiz escarlate,
Seu corpo de canela, híbrida cinderela
Me engolfa entre uivos, silvos e susurros,
como um ensandecido animal
Nos olhos do chacal,
sua imagem encerrada em lua nua, toda cheia
toda sua, embebida em jasmim,
ao espargir sua fragrância, bela flor da azaléia
do sono, erguem as cabeças em uníssono,
embevecida, sai em disparada a alcatéia
No olhos do chacal
ora és maviosa brisa tépida,
deslizas n’alma suas asas, qual anjo sideral
Ora, com olhos de fogo, corpo sinuoso, dentes afiados
arrebata-me para tuas sendas do mal
No espelho,
dos meus olhos de chacal,
resta-lhe contemplar,
galvanizado, seus encantos haurir
nada me solicita, mas felinamente,
parece tudo determinar,
seduzir.
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Como não amar
teu oceano de encantos,
e a deriva em tuas vagas de volúpias,
não temer afogar-me no mar de esmeraldas
que só teu par de lindos olhos possui?
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“ A mulher madura,
... Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. A mulher madura é assim, tem algo de orquídea que brota exclusivamente de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem o seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo ”
“ Presentear, na verdade, é isto. É dizer: eu não vim apenas te ver, através do meu presente, eu vim permanecer. ”
“ Se quer ir ao cinema as três da tarde, vá. Se quer sair para tomar sorvete ás cinco, vá. Você vai acabar redescobrindo uma certa luminosidade que as manhãs ainda tem e que a tarde tem mais mistérios do que o pôr-do-sol pode nos pintar. ”
“ Ganhei duas crisálidas de borboletas. Aprendi a ver nesses casulos as asas que se desenharão em algum céu. Seguro nas mãos essas formas vivas disfarçadas de vegetal.
... No meu quarto, dependuradas num vaso de samambaias, duas crisálidas me contemplam . Elas sabem, mais que eu, a que horas duas estupendas borboletas sairão do útero do tempo para esbaterem contra as vidraças do dia. ”
“ A trepadeira no terraço, que avança dois-três centímetros cada jornada, seguindo o fio de náilon do tempo, me ensina a direção das coisas. O vento sopra pelas costas de suas folhas e ela navega verde pela pilastra como uma caravela reinventando o seu concreto mar. ”
“ ... Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação há pessoas que, embora roxas de levar tanta pancada na vida, têm, contudo, um arco – íris n’alma. ..
Nunca vi o Sol se queixar no entardecer. Nem a lua chorar quando amanhece ”
“ As vezes um texto parabólico e elíptico pode nos dizer mais, que outros pretensamente objetivos ”
“ A historiadora Denise Bernuzzi de Sant’Anna anda fazendo entre nós o elogio a lentidão. A violência tem a ver com a velocidade. É bom pensar nisso. Pela pressa de viver as pessoas estão esquecendo de viver. Estão todos apressadíssimos indo a lugar nenhum.
... Era lento em aprender as coisas na escola, mas quando aprendia algo o fazia com mais profundidade que os demais ... Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados. ”
“ Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas.
É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isso é necessário ter asas, e sobre o abismo voar. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.
Um dia eu fiz 30 anos..., era um homem e seus 30 anos, um homem e seus 30 corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado e arborizando, ao sol e a sós ... Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema”
“ Despir um corpo pela primeira vez, é conhecer pela primeira vez uma cidade. E os corpos da cidades têm portas para abrir, jardins de repousar, torres e altitudes que excitam a visitação. .. E como o corpo, querem que alguém as habite com intimidade solar. Porque o corpo do outro não pode ter a sensação de perda, mas a certeza de que algo nele se somou, que ele é um objeto luminoso que a outros deve iluminar.
... frágil pode trincar em alguma parte, e os menos resistentes se partem, quando aquele que os toca, os toca apenas com a cobiça e nunca com a generosa mansidão de quem veio pela primeira vez, e sempre, sempre para amar.”
Pepitas de diamantes, extraídas Do livro:
Coleção Melhores Crônicas – Afonso Romano de Sant ’Anna
Global Editora
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Estive visitando sua escrivaninha,
mas como estão lindos seus últimos textos!!!
E como é bom sentir teu perfume
suave e inconfundível,
emanados dos teus versos primorosos.
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A diminuta aranha,
irrequieta e pululante como gato amarrado pelo rabo,
arfante e pressurosa, forçava uma das perninhas
presa na úmida e sinuosa estradinha de prata,
deixada pelo caracol bonachão.
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