Vácuo

Foto de Arnault L. D.

Coordenadas

Como posso encontrar,
o que eu mais nem sei?
Pois, tudo eu já dei.
Não sei como procurar...

Como posso chorar,
se estou tão vazio?
Resta o seco onde o rio
turbilhava p'ro mar.

Como posso ouvir,
se o vácuo é pleno?
Sequer um som, ameno,
ao silêncio ferir...

Como posso partir,
se nem mais me pertenço?
E o pés não convenço,
afastar, não querem ir...

Não vou mais peguntar.
Não intento respostas.
Seguir, é dar as costas
e aqui quero ficar!

Onde posso encontrar,
se perco-me distante...
Onde que a alma é amante,
bem lá é meu lugar.

..............................................................

Quando em você.. me completo.
a fração faz-se inteira
e por desta maneira
que por você sou repleto

Então traço, arquiteto.
Navego em rotear o amor
que onde esteja, e aonde for
me localizo, em seu afeto...

Foto de giogomes

Ensaio de solidão

Como pedir ajuda estando calado ?
Como clamar por clemência, sem ser julgado ?

Esperar por ajuda em uma imensidão.
Estando apenas só, em minha solidão.

Tentando em vão novamente caminhar,
sem forças sequer para poder levantar.

Me vejo gritando a uma multidão de surdos,
caído em um poço completamente escuro.

Sem respostas a perguntas não feitas.
Querendo espaço em frestas estreitas.

Me falta o ar no vácuo desta vida.
Me falta um teto, um lugar de guarida.

Estou sozinho, mesmo por pessoas rodeado.
Mesmo coberto de fatos, me sinto desacreditado.

Me sinto perdido, mesmo orientado.
Estou completamentente cego, mesmo sendo enxergado.

Busco por algo inexistente, no lugar errado.
Me afogo em pensamentos, em um lago raso.

Como calar, necessitando de ajuda ?
Como se ter esperança, sem ninguém que o acuda ?

Talvez acreditando que o meu grito seja ouvido.
Mesmo que para isso, nem um som seja emitido.

Acreditando que mesmo escondido, eu seja achado.
Lembrar de como sorrir, mesmo com os lábios cerrados.

Voltando a enxergar beleza, com os olhos fechados.
Voltar a acreditar na alegria, nesse mundo nefasto.

Talvez implorando para que toda esta sensação,
se vá embora neste ensaio de solidão.

Foto de Melquizedeque

Alquimista do poder

O mais que posso lidar é o nada!
Não sou egoísta, nem ao menos cruel
Esta é sua parte. De mim tu és herdeiro
Já comi muitas partes do que já foi um alguém
Não vejo a carne, nem sangue ou nome
Mas pra dentro de mim, milhares devorei

Pessoas distintas engoli sem temer
São homens, mulheres, são terra, são pó
Mas saibas que tudo o que fiz que vi ou escutei
Jamais comerás nem ao menos um grão
Pois meu corpo já arde em um fogo imortal
Talvez seja eu um buraco escuro e sugador
Que engole matéria e ilusões... Um infinito de sinápses

De mim não terás nem meu corpo ou migalhas
Sou um selvagem canibal de terras longínquas
Que come seu totem e mais forte que ele fica
Assim vive meu nome: com as lendas e as vísceras

Eu como o que é forte, desse prato eu saboreio
São heróis que introjeto exaltando com o honrar
Sinto apetite em escutar cada nome desses grandes
Mas tu não comeras nenhuma parte do meu corpo
Sou eu um monstro nato, um vácuo sem desvios
Destruo as trilhas mórbidas de vidas temerosas
Sou essa força que tu não compreendes

Em breves milênios então tu saberás
Como é o salivar no mastigar de cada dente
Com sua dor me tornarei um herói ou faraó
Pela vida imolada que me deste ao morrer
Eterno assim serei: um grandioso mercenário
Um alquimista majestoso que se transformou em rei.

Melquizedeque de M. Alemão, 18 de janeiro de 2011

Foto de Nero

VIVA A VIDA!

VIVA A VIDA!

Raios de sol invadem a floresta densa, juntando-se
ao assobio dos passarinhos, bem sintonizado
pelo farfalhar das folhagens que se esvaem
no vácuo do oxigénio da vida. Dizendo…

Viva a vida!

Colinas entrecortadas por belos riachos, inundadas
por peixes coloridos, que movem as aguas cristalinas,
que vão caindo feito cristais da cachoeira. Por isso…

Viva a vida!

Savanas que testemunham a dança das borboletas
sobre o capim verde e fresco, fresco de orvalho, do
orvalho da chuva miúda, que emana da terra, um
um aroma da vida que dá vida. Sentindo um…

Viva a vida!

No imensurável e infinito mar, sua profundidade
abriga uma comunidade de segredos inóspitos
que nos fazem sentir pequenos diante da grandeza
da vida.

Viva! Viva! Viva!
Viva a vida e a tudo de bom que ela traz à nós!!!

Foto de Arnault L. D.

Patê de coração

Vou fazer um patê
com o meu coração
para passar no pão
e depois comer

Vou mastigar bem devagar
para apreciar o gosto
e se verá no meu rosto
o quanto é amargo

Para acompanhar
um grande copo de cachaça
da pior que se acha
que irá bem combinar
e se quiser grelhar
vou untar com graxa
pra melhor temperar

Mas antes preciso arrancar
do peito o coração;
e esmagar com os pés,
socar e chutar pelo chão

E do sangue que vazar
um molho: Areia e vinagre, bater
E no vácuo será o oco que habite.
E mesmo me envenenando comer
e irei dizer: Bom apetite

Foto de Arnault L. D.

Adeus de um anjo

Não existe mais por quem ficar,
a vagar sem motivo sequer.
Se o céu me pede para voltar
deste mundo que não mais me quer.

Vou abrir as asas e largar...
Ser levado, sem lágrima alguma
a me perder em algum lugar
onde até a lembrança suma.

Voltarei a distância, nula,
de morrer o que me faz lembrar.
Sangrar lágrimas e medula
neste sol que irá me incinerar.

Vou fazer o adeus sem dizer
e chorar no vácuo de ninguém ver.
Como as lendas que para morrer
basta apenas se esquecer.

Partido ao léu, partir em asa
no tempo que irá desbotar...
Nesta noite que me abrasa
enquanto tudo some no ar.

Desisto ao vento que tome,
que some ao perdido sonhar
um anjo triste, sem nome,
que não pode mais ficar.

Foto de jessebarbosadeoliveira27

BEBENDO O MAR DA INSANIDADE

Um gesto coíbe a lágrima:
A glória e a angústia se amalgamam,
Se entrelaçam, se abraçam, se procuram, se misturam,
Se mastigam, se adaptam, se compactam, se fecundam,
Se masturbam e se adicionam hirsutos
Ao sabor dos pensamentos mitômanos, confusos,
Gerando uma insólita & desvairada
Alegria atormentada em relação
Ás aquarelas assenzaladas quais sequestram,
Flagelam ou sepultam
O oceano fluente pelo cérebro á beira
Do abismo profundo.

Ah, pensar também
Que integro o elenco
De reféns desta maré maligna:

Ora como um espectador impotente
Por não poder ser reativo
Quando a peçonha da violência,
Da cobiça e da autocracia
Preda a candura ---- até então,
Mantida incólume ainda, quanto
Á sua alma, á sua lírica arquitetura ---
Pois a consciência sente a dolência
De viver em infinita clausura;

Ora sentindo o amargor
De fruta cítrica
Da amorosa sensaboria
Fazendo malsãs investidas,
Cheias de sedução e aleivosia
Contra a aurora da fantasia
Quando a arte da conquista
Vira planeta em sangria;

Ora completamente imerso
Na piscina labiríntica
Do meu mundo-ego,
Hades onde
Os demônios --- apátridas
Da indulgência e da fidalguia ---
Castram-me o combustível qual alimenta,
De maneira apaixonadamente feroz e fidedigna,
A fogueira ativista contra o império da hidra,
Além de devorar --- tal se fosse
Um cardume celerado
De famintas piranhas assassinas ---
O lume do farol que mantém viva e fortifica
A energia do Corcel da tranquilidade assertiva,
Da solar lira!

Ah, não desejo mais
Que o nosso destino
Caiba --- de modo conciso ---
Na palma da mão
Do vácuo empedernido:

Ao contrário,
Espero incansável
Que a manhã-mor
Do equinócio auspicioso ecloda,
Portando consigo o sol do denodo,
Do arco-íris onde mora o regozijo do sonho,
Da flora, da fauna, da via Láctea do ouro,
Da Poesia que liberta a Mente do Povo!

Mas o império da pedra
Mostra o verdadeiro timoneiro
Do navio da realidade:

Ele ostenta a face
De canções quais assassinam a jocosa tarde
E levam ao templo do abate
O carcereiro da catástrofe.

Então minha rijeza
Vira mármore:
A poesia cuja centelha
Irrompe do Rio São Francisco
Dos meus versos
É catarse trôpega, lôbrega, estéril:
A realeza maior dos tétricos cemitérios!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

Foto de Carmen Lúcia

Silêncio, escuridão e mais nada...

Esperei o silêncio se pronunciar,
as últimas notas musicais se apagarem,
as falas se amortecerem e aos poucos
se esvaírem pelos arrabaldes...

O assovio do vento foi se enfraquecendo
e o tempo ininterrupto ficou ali prostrado.
A última sombra saída dos patamares
no vácuo se escondeu perdendo-se pelos lugares...

A lua não se manifestou, e solidária,
se fez meia, fino anel de prata,
estrelas apagaram suas luzes
deixando o breu da noite ocultá-las...

Um uivo abafado por não ver a lua
aquietou-se na penumbra da rua...
Agora era silêncio, escuridão e mais nada.

Assim quis permanecer...
Início da madrugada...
Nenhum ruído a comprometer,
nenhuma luz a me acender
e eu ali calada...

Momento propício
para um diálogo destoado
em que o silêncio fala por si mesmo
e o pensamento, um eco lá de dentro...

É um choro convulsivo rebuscando a camuflagem,
é o encontro de dois eus discutindo seus disfarces...
O eu que sou, sufocando a espontaneidade ,
o eu que não sou, dissimulando minha imagem.

_Carmen Lúcia _

Foto de jessebarbosadeoliveira27

A LIRA DA MELANCOLIA

Cantarei neste poema a melancolia:
Um dia testemunhei artífices da terra
Resignarem-se a uma vida sem estrelas e luzernas.

Cantarei neste poema a melancolia:
Os dias e as noites amanheciam,
Mas continuava a tangê-los
A valsa da desvalia, do exíguo vento.

Cantarei neste poema a melancolia:
Nada de seu tinham
A não ser um vácuo cavalgando por dentro da barriga
E, num semblante sulcado, a fome da lida.

Canto, afinal, neste poema a melancolia:
A ausência de sunshine na sina daquela sertaneja gente nordestina
Lancina-me, até hoje, sadicamente as mentais retinas.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

Foto de Daniela Franco

sentidos

Poderia eu, sentir-me viva
se todos meus sentimentos, não estivessem dispersos,
e como se eu encontrasse o profundo abstrato
e nele, todas as sua formas.
Poderia eu, mergulhar em meus pensamentos,
de tal sentido complexo onde não pudesses sair
Recaída - em versos sem rimas,
sem Saída exata para seguir.
De todos juramentos e tormentos,
só permaneceram aqueles aos quais me distraia
Contraditórios espaços, todos no vácuo - da vida.
Ser um poema sem nexo
e no teu sexo enquanto eu dormia.
Recitar as palavras com certa clareza,
sem estar num profundo deleito, de agonia;
do que eu nem sei se sentia.
E se tudo não passar de uma irrealidade inconstante
entre os minutos, os instantes
...apenas por um momento...
Qualquer de monotonia!

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