Limites

Foto de Lou Poulit

O Caminho é o Mestre.

Precisei viver muito, cair e levantar muitas vezes, para legitimar no meu silêncio a simples impressão de que tudo valeu a pena, por ter aprendido algumas coisas. Há tantos anos que nem me lembro mais quando foi, li sobre o conceito cabalístico de amor. Achei que era uma coisa muito bonita, mas impossível de se conseguir. Parecia um paradoxo existencial insolúvel, porque parece pressupor o sacrifício da individualidade própria e sem ela, ainda que consigamos pisar no horizonte, não poderia haver nisso um mérito nosso, já que não terá sido uma obra nossa. Guardei o conceito com carinho numa das últimas gavetas da alma.

Os anos se sucederam e através deles uma aparentemente infindável sucessão de logros e malogros, que deixavam uma coisa cada vez mais clara e insofismável, na minha alma obstinada e penitente: as melhores coisas que havia conquistado não eram aquelas pelas quais me dispusera a tantos sacrifícios, não eram a montanha, mas sim as que em algum momento me pareceram uma pedra suficientemente firme, para enterrar o cravo e continuar a escalada. E isso foi verdadeiro em literalmente tudo. Sabia exatamente o que queria e, quase sempre, soube encontrar meios de prosseguir. Mas não sabia o mais essencial.

Não sabia que nossas ambições são como uma miragem. Ainda que sejam alcançadas, podem durar bem pouco nas nossas mãos. Mesmo porque logo precisaremos desesperadamente de um novo objetivo, uma nova referência para que possamos canalizar nossa energia. Precisaremos fazer isso, ou teremos a impressão de que todo o universo, em seu legítimo direito de prosseguir, está nos atropelando lenta e minuciosamente. Talvez possamos parar para comemorar uma conquista, ou nenhuma conquista, como fazemos mais freqüentemente, e assim exercer nossa auto-estima, e simplesmente não querer mais nada. Porém não poderemos interromper a sucessividade das coisas, ou a transitoriedade de tudo.

Como não podemos assumir nenhum dos extremos do paradoxo, ou seja, não podemos ser Deus nem tão pouco um inútil grão de areia, a solução está necessariamente no meio do caminho entre um e outro. Não é como encontrar uma agulha no palheiro, ou um determinado grão na praia, é muito mais difícil que isso!

Às vezes, por minha própria experiência, tenho a impressão de que posso propor uma solução: desconcentrar o foco. No entanto, preciso esclarecer uma coisa da maior importância: Quando digo desconcentrar o foco não estou defendo nenhuma abstenção, negligência ou leviandade generalizada, como pode perecer. Mas sim, muito ao contrário, redistribuir o feixe, contemplando mais as pequenas coisas do caminho, que estão sempre tão perto da gente; e nem tanto no horizonte, em cuja distância o foco talvez se perca irremediavelmente.

Isso não é nada fácil, concordo, mas deve ser uma espécie de aliança profícua. Sim, uma aliança porque assim daremos ao universo a oportunidade de participar muito mais proveitosamente das nossas conquistas, de nos oferecer alternativas, enquanto damos a nós mesmos a oportunidade de exercer mais legitimamente o nosso livre-arbítrio. Porém, aqui cabe um alerta: Não se deixe iludir pelo seu conceito vulgar e tão divulgado: O tal livre-arbítrio, instituição criada a partir textos inspirados, não pode ser o direito absurdo de fazermos o que bem entendermos. Crer nisso seria subestimar a inteligência do Grande Legislador, depois de superestimar a nossa. Não é minimamente razoável.

Vejo isso da seguinte maneira: suponhamos que você tenha dito ao seu filhinho amado que parasse a brincadeira para fazer o dever de casa. As crianças nunca têm pressa para aprender. Na verdade, ao fazer seus exercícios, querem mais se livrar da obrigação do que aprender o que os adultos pensam ser necessário. Ora, se você lhe desse dois ou três cascudos mais alguns gritos, certamente ele faria os seus exercícios e alguma coisa sobre a matéria haveria de fixar na mente, além dos cascudos e gritos, claro. Mas tenho a mais cristalina convicção de que você se sentiria um pai/mãe muito melhor, se ele resolvesse fazer o dever e aprender por conta própria! Sem precisar de qualquer penalidade. A evolução dele e a sua satisfação seriam muito mais legítimos e perenes. Pois aí está, para mim, o sentido verdadeiro do livre-arbítrio, dentro dos limites da mente humana. Até onde a criatura e o criador eram uma coisa só, não poderia haver esse mérito. Então, porque resolvemos criar nossos próprios objetivos e expectativas, e engendrar os meios para isso, passamos a precisar dessa instituição. Porque Deus, que não pode ser um pai menor do que eu ou você, prefere não nos arrastar para casa pelos cabelos. Na verdade não se trata de uma liberdade, mas da oportunidade de escolher bem e com responsabilidade.

Então, juntando tudo, creio ter uma boa proposta. É simples e não tem o rigor hermético imposto pelas instituições dogmáticas, que também tendem a priorizar suas próprias necessidades: focamos o horizonte apenas para que tenhamos uma referência de direção; depois criamos focos nas pequenas coisas que estão em nós, à nossa volta, entre nós e na mesma direção que escolhemos. Sem perceber, estaremos abrindo mão de uma parte do nosso ego cabalístico, aquele que quer satisfazer a si próprio, entretanto, também estaremos sintonizando a energia cósmica, que quer satisfazer a toda criatura, humana ou não, que possa escolher, segundo as preferências de cada uma. Além de satisfazer, segundo a Sua preferência, a todas as demais que não podem escolher por si.

A polarização sexual dessa questão é muito bem representada por um mito antigo: Os deuses do Olimpo estavam prestes a se unhar, por não haver consenso sobre quem teria mais prazer no amor, se o homem ou a mulher (uma questão que, hoje, a ciência responderia facilmente). Então Zeus, tido como grande sedutor mas que, provavelmente, era um péssimo amante, mandou chamar um semi-deus, por sua vez tido como apaziguador. Não podendo recusar a missão que lhe fora confiada, este meditou um pouco e depois afirmou categoricamente (sem a tecnologia atual): Quem tem mais prazer no amor é a mulher... Liderado pela extremada deusa Hera, mui traída esposa de Zeus, o bloco dos feministas já estava começando a sua festa. Mas, olhando os olhares inchados de raiva dos machistas, ele completou: ... Mas o homem é quem o provoca. E assim, enquanto o bloco dos machistas fazia a sua festa, a enfurecida Hera cegou o pobre semi-deus. Na tentativa de ajudar os que queiram compreender melhor a inexplicável sabedoria dos antigos, aqui vão versos definitivos de Vinícius de Moraes, da sua “Brusca Poesia da Mulher Amada”:

“...E de outro não seja, pois é ela
A coluna e o gral, a fé e o símbolo, implícita
Na criação. Por isso, seja ela! A ela o canto e a oferenda
O gozo e o privilégio, a taça erguida e o sangue do poeta
Correndo pelas ruas e iluminando as perplexidades.
Eia, a mulher amada! Seja ela o princípio e o fim de todas as coisas.
Poder geral, completo, absoluto à mulher amada!”

O verdadeiro amor só pode ser isso: O sentimento de querer bem e de satisfazer as pessoas/coisas amadas. E para dar certo, basta que aquele que ama seja uma das pessoas amadas. Ponto passivo: não existe uma matemática humana para o amor, essa coisa de determinar de modo fixo um ponto entre os dois extremos. Tudo bem, mas não estaria exatamente nisso o mérito? Veja, essa exatidão fixa, humanamente lógica, redundaria em mais uma estrutura ideológica capaz de engessar a psiqué e atrair o foco para o ego. Ela não é necessária. Mais importa que se exerça a vida, a alma, que se ame e que se cresça. A alma é o maior objetivo, o amor é o meio mais eficiente, e o caminho, quanto mais escuro mais guarda estrelas: É o mestre!

Foto de Max Seridó

Iluminada

Quisera eu estar contigo
Viver tão desvairados delírios,
Estar além da terra, céu e mar
Deleitar-me nas delícias
Desse teu intenso e envolvente amor,
Tanto que parece querer-me
Como duas criaturas juntas numa só
E perdidas nessa paixão sem limites
Feito as nuvens no seu doce e suave vagar,
Sem destino pelo firmamento sem fim
Poder saborear-te com todo o meu desejo,
Todas as minhas forças,
Todo o meu amor, louco amor
Passar minhas mãos pelas tuas
Para serem apertadas como quem sofre
Mas não de dor, sofre de paixão,
Esse sentimento possessivo, cruel,
Maldoso, impiedoso, tirano,
E ainda assim conquistador
Paixão que se arraigou
Em minha mente, vísceras,
Dominou todo o meu ser,
Paixão desvairada,
Irresistível prazer !
Olho os teus olhos,
Vejo-os tão pesados,
Sua face como a de quem
Passa por enorme cansaço, exaustão,
Tua respiração continuamente ofegante
E tua boca parece querer falar-me e fala,
Não são palavras
Mas vozes da brisa que soa leve
Em meus ouvidos e minh’alma,
Eregindo meus pêlos,
Excitando meus nervos,
Despertando minha firmeza carnal,
Fico teso,
Então entro, me adentro,
Me aprofundo, me arrebento,
Não lamento, desalento
Que tormento
Entre ser você e estar a te imaginar
No tédio ocioso e perturbador da solidão
Ouço o vento, fico atento,
Me recordo, me contento
De nosso delicioso momento,
Ai que prazeroso sofrimento
Imaginar tua pele com a minha,
Tua boca com a minha
E tuas pernas alvoroçadas
Me abraçando, me apertando,
Querendo me engolir, devorar,
Estão famintas, sedentas
De amor pra dar
Em nosso leito, que deito, me deleito
Em teu peito e gozo
Satisfeito, contente,
Feito azul do céu resplandescente
Com a luz do sol nascente,
Assim é entre eu e você
Paixão que acende,
Amor que não pode se apagar

Foto de Neryde

Possível ou impossível....

É possível ou é impossível?
Amar sem nada dar,
Amar com limites,
Não ter medo da solidão,
Por não ter amor no coração.
Não desejar a alegria,
De estar junto todo dia!
É possível amar-te.
É impossível não amar-te!

Foto de Pupu

Queria você...

Queria olhar nos seus olhos agora e ver a verdade
Poder ver o brilho e sentir a intensa vibração dentro de seu coração
Poder assim, retribuir com carinhos o sentimento que há por mim,
E assim, ficar feliz por saber que me ama e que deixa eu te amar.

Queria sentir o doce calor de seu beijo,
Envolvendo-me com alegria, paz e amor,
Deixando-me em nuvens, saltando em algodoes.
Pena estar sozinho neste momento,
Sem você aqui do meu lado dando todo amor que tem para me dar.

Mas amar não é tão ruim assim,
O amor não faz mal algum e não entristece ninguém.
Somos nós, crianças e sem conhecimento algum do verdadeiro amor,
Que deixamos este angustia dominar nossos corações

Não temos culpa por ser assim,
Amamos-nos cegamente, sem limites e barreiras,
Com toda força que há e com todo poder que existe dentro de nós
Somos assim, bobos e felizes por nos amarmos tanto.
Nada há nada de errado em amar,
Não nego o que sinto, vou seguir enfrente e vou te amar,
Sempre, eternamente, para sempre vou te desejar.

Foto de Apren diz

Masoquista Sentimental

É aquele que se sente obrigado a amar, este lhe é o sentido da vida - em seguir seu coração até onde suportar, mesmo que isso seja seu eterno tormento irá segui-lo a todo momento.Um romântico norteado por um sentimento e dotado de um poder especial a Regeneração.

Indispensável dom que há de curar feridas tão profundas, nunca sofridas em vão mas que deixam cicatrizes enormes toda vez no coração.

O verdadeiro Masoquista se tortura, testa seus limites. Como um inventor ou um louco qualquer, sempre otimista insiste no erro. Contrariando a tudo e todos desafia a lógica, tem fé que agora vai dar certo. E depois de aflingir tanta dor a si mesmo, o corpo chora e a alma grita – NÃO AGUENTO MAIS, DESISTA DESSE AMOR !!

Amor que não merece, pois não reconhece, nem mesmo lhe apetece. Infelizmente não mensura intensidade e doçura de que abre mão. Então chega a hora, seu instinto de sobrevivência vem a tona, relutante o Masoquista acata ordem suprema de sua própria existência.

E passa os dias a lutar, controlar o seu desejo de correr atras de seu amor, amor que sabe não compensa mas, o que dizer ao coração ? Segue amando até que encontre rara chama que disperte novamente seu instinto ardente ou no pior dos casos, até que renegue o próprio Coração.

Este perigoso, impiedoso que viciado sempre quer mais, necessitado por natureza a sempre buscar seu “Graal” inebriar-se de amor, extasiar-se de prazer e essa é sua interminavel Cruzada.

Conflito covarde entre a Razão e Emoção, desigual ao ponto da Razão nunca ter tido chance alguma, guerra que só tem fim de uma maneira.

Quando a Alma totalmente esgotada, implora por paz se alia a Razão e vence a Emoção. Este é o fim do Masoquista, seu maior lamento é saber que o que tinha de mais belo se perdeu, e por não regenerar tamanha dor no coração, o trivial se torna a única opção.

Foto de alEksãdra

Para Sempre

É para sempre...
Sempre que vou te amar
Sem limites, ou travada
Até que exausta no seu leito a descansar
Para amanhã voltar a amar
Mesmo que sofrida
Mesmo que doída.

É para sempre...
Sempre que vou te amar
Na incerteza de ser correspondida.
É assim que eu te amo
Incerta; mas certa que ...

É para sempre que vou te amar
Até perder o folêgo
Até não poder mais respirar.

Foto de LEOANDRADE

Ímpar

Ímpar

Eu sou um habitante ímpar do Cosmos.

Eu não nasci para seguir regras, pelo menos sem antes questioná-las.

Prefiro abrir novos caminhos e veredas do que seguir estradas óbvias repletas de placas obsoletas.

Amo a diversidade, abomino a formatação.

Sou amante das ondas e marés, entedio-me nas calmarias.

Busco enxergar além dos toscos limites da visão, ignoro modismos e convenções.

Regozijo-me com divergências inteligentes, enojo-me com concordâncias acéfalas.

Divirto-me testando limites e refazendo fronteiras, sempre deixando-as tênues e facilmente removíveis.

Rio dos preconceitos e descarto-os sem dó.

Comungo com o universo e bebo suas lágrimas na chuva, que ora dá vida ora assola num ciclo infinito de alternâncias.

Banho-me na luz das estrelas e sorvo seu conhecimento milenar.

Sou um microcosmo com ética e leis próprias, inspirando novos questionadores, jamais meros seguidores.

Vivo eternos big bangs de idéias sempre renovadoras.

Não acredito em sonhos impossíveis nem metas irrealizáveis, estes só existem para serem cumpridos e vencidos.

Acredito em verdades e perfeições relativas, nunca absolutas.

Acredito no amor como única necessidade vital, como único caminho, como única meta, como única razão e como emoção-mor, anos-luz distante de todas as outras.

Acredito na individualidade, na unicidade, mas confesso que sou só uma parte menor sem você ...

Leonardo Andrade

Foto de Lilika03

aprender

Viver com alguém que se ama, não é só uma oportunidade de conhecer o outro, mas também uma chance de conhecermos a nos mesmos, nossos limites, tolerância, aflições, desejos. Apenas quando nos enxergamos por inteiro é que percebemos o medo de nós mesmos, e então temos que nos dar conta de que precisamos evoluir, nos tornar uma pessoa melhor.
Temos que realizar um processo de aprendizado todo dia a todo instante, a vida é feita de escolhas, e temos que ser responsáveis por nossas escolhas sejam boas ou não.
No amor é necessário desenvolver um treinamento pra viver junto com alguém (treinar diálogo, treinar sinceridade, A CONFIANÇA, treinar relações sexuais prazerosas, em dar telefonemas fora de hora).
Ter sabedoria de que não existe “EU” nem o “TU”, mas simplesmente a comunhão, não há homem nem mulher, apenas NÓS. È o momento em que a individualidade se perde e o encontro transcende.
Muitas pessoas reclamam de seu destino por não terem sido contempladas com um grande amor, mas na realidade um grande amor é construído, é fruto de sua maneira simples de existir.
Nós já nascemos sabendo amar, mas desaprendemos e por isso mesmo precisamos reaprender do zero, todos os dias.
Viver momentos de desacertos no amor é normal, desde que não se torne uma constante, tentando nos condicionar que tudo vai dar certo, entendendo e respeitando determinadas dificuldades de seu parceiro e quando houver obstáculos, trace uma nova estratégia, ou seja, esgote todos seus recursos, para fazer dar certo, mas nunca esquecendo de pensar em você mesmo, sim porque de vez em quando é bom sermos um pouco egoísta.
Percebo que amar alguém pode provocar uma sensação de fragilidade e dependência, a presença do outro se torna vital, e a possibilidade de ser abandonado a qualquer momento fica tão ameaçadora, que em geral optamos pela saída mais fácil, sabotar a chance de viver um novo e grande amor.
Quero simplesmente ter a sorte de um amor tranqüilo.

Elisangela Teixeira.

Foto de Ricky Bar

Bruxo Amante

O AMANTE
Novamente eu estava lá visitando-a secretamente à noite, como sempre, ela não conseguia me ver direito, estava em estado de torpor, sonolenta, porém em completo êxtase, eu era seu misterioso amante.
Ela começava a sentir meus toques suaves que lentamente avançavam para as suas partes mais íntimas e secretas, envolvendo-a num clima sedutor e embriagante.
Sempre se repetia desse jeito.
À noite ela deitava nua e quando chegava naquele estado letárgico eu entrava e ela submissa se entregava primeiro aos beijos, aos toques e depois as mais extravagantes formas de prazer!
A luxúria era nossa companheira noturna, seu corpo, um campo fértil de pesquisa, onde experimentávamos de tudo.
Nossa paixão não tinha limites.
Entretanto, ela nunca pode me ver por completo, pois nossos encontros de prazer aconteciam numa outra dimensão, aquela que fica entre o real e o imaginário.
Mas eles realmente aconteciam, as forças ocultas do universo, nos colocavam juntos e ela sabia que suas noites pertenciam ao seu bruxo.

Foto de pedacinhos de mim poemas

O Desabafo

No coração um sentimento duro,
decepção, raiva, dor... há um grito!
Sou humana!
Nos meus limites da tolerância,
me vejo embravecida,
diante de tantas palavras insanas.
Atitude que me deixa nos nervos,
que implode dentro de mim...
isso me deixa feia.
Por mais que eu não queira
fico puta com tantas asneiras...
por que?! Quem a gente trata bem,
por vezes nos trata tão mal?
Com frase sem nexo,
com palavras que machucam,
ditas sem eira nem beira?...
Impensadas, mal colocadas,
onde soa um egoísmo intragável...
desprazível... preciso falar!
preciso gritar...não quero sufocar.
E nesse desabafo arranco esse sentimento
que de intruso, por vezes quer ficar em mim.
Fala coração meu! Chora, despeja esse fel,
Que injustamente foi derramando em ti...
Célia Torres

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