Coração

Foto de raziasantos

Quero que me ame.

Quero ser amada por ti.
Mas sem promessas de eternidade.
Quero seu amor enquanto a luz dos
Teus olhos brilharem!
Enquanto me despertas desejos.

Enquanto não amargares nossos beijos.
Não quero algemas, não quero cobrança
.
Quero que me ames enquanto durar

O pôr do sol...
Enquanto dure a grandeza do teu ser
Eu te amarei intensamente!
Enquanto encontrares em verso.
Uma nova poesia!

Enquanto sorrir com minha alegria

E chorar com minhas tristezas

Serei grata a ti e o amarei
Sem medo, sem pudor.
Ama-me com teus sorrisos.
Ama-me com teu sedutor olhar!
Ame-me como o brilho das estrelas.

Mas nunca tente meu brilho apagar.
Quero que me ames enquanto durar
Mas não quero magoas, nem dor!
Sabes que não sou pássaro que numa gaiola
Podes me deixar!
Ama-me enquanto o universo nos aprovar.
Quando na alvorada tiveres de partir apenas.
Sorria, pois não vou chorar.
Ama-me sem nunca meu coração aprisionar.

Foto de Raycleia Dias

Falando com Deus

Tenho andado pelas ruas...
Só tenho encontrado escuridão.
Tenho tentado fugir da verdade.
Eu tenho vivido lutas, que tem causado feridas dentro de mim.
Eu vivia tão bem na casa do Senhor, não sei bem certo, quando me perdi.
Quero muito me encontra novamente contigo meu Senhor.
Quando tu queres falas comigo. Mas não tenho te escutado, não consigo!
Não sei o que acontece, mas sei que tudo tem uma razão.
Eu não conhecia esse mundo aqui fora.
Tudo é escuridão!
Permitiu-me que eu andasse pelas ruas a procura de coisas vazias.
Não quero mais continuar!
Então hoje te pergunto qual o propósito que tu tens em minha vida?
Qual a benção que tens para mim?
Já não consigo mais esperar, as vezes penso até em desistir.
Sei que não posso, sei que não tenho esse direito.
Então me livra dessa angústia, desse mundo sem volta.
Deus, tudo ta tão difícil pra mim.
Às vezes as pessoas me perguntam onde estas Tu.
Sinceramente muitas das vezes fico sem resposta.
Mas dentro de mim, num lugarzinho bem reservado parece-me que às vezes Tu te escondes.
Todas as noites que passei sozinha, onde estavas Tu?
Porque Tu me escolheste?
No dia em que eu nasci e meu pai não estava ali, onde estavas Tu?
Por que me permites sair lagrimas dos meus olhos quando falo na ausência do meu pai?
Já que não me permitiste ter um, porque me fazes lembra e chorar por ele?
Porque tenho que carregar comigo o erro dos dois?
Por que choro quando falo contigo?
Senhor cada dia que passa me sinto mais sozinha, eu sei que você existe e que está sempre comigo, mas às vezes parece que se escondes de mim, na hora em que mais preciso.
Pai, porque eu estou dizendo essas coisas a você?Eu sei que não devia que estou pecando contra Ti.Talvez até me castigue por isso. Mas então te pergunto: castigar mais?
Desculpe-me, mas tudo que sou é parte de tudo que já sofri.
Não quero mais só fazer as pessoas rirem, necessito de alegria, de um sorriso sincero. Quando penso que estou forte, fraco eu estou! Hoje mesmo pensei que estava feliz, mas vejo minhas forças irem embora. Meus sonhos cada dia parecem estar mais longe.
Sou humana não consigo ser perfeita.
E essas pessoas que colocas em minha vida, quem são?
Qual o motivo delas existirem?
Ensina-me a amá-las, me dedicar a elas, e der repente, me arrancam sem explicação.
Achas que pra mim é fácil viver tudo isso, achas que com isso,posso me tornar uma pessoa melhor? Sinceramente, não consigo decifrar o que queres me dizer, o que queres que eu seja ou faça.
Percebo que meu corpo padece,minha mente enfraquece,ensina-me ousar da minha fé.
São varias perguntas que só você pode me responder.
Ao amanhecer uma surpresa me acontece, sofrimentos, dores, tempestades, fucarcoes.
Ainda quer que eu exista?
Queria ouvir tua voz sussurrar em meu coração.
Fale comigo Senhor, nem que seja quando eu estiver dormindo.
Em momentos assim é que sinto tua presença real dentro de mim.
Faça me ouvir e enxergar o que queres de mim.
Pois sozinha eu não posso mais.
Sonda-me!

Foto de betimartins

Na tua catedral, eu chorei!

Na tua catedral, eu chorei!

Nas minhas tristes etapas da vida,
eu chorei, por tantas vezes perdida,
sufocada nas barreiras e amarguras
que a vida, sem piedade, sempre impôs...

Lutei quase sem nenhuma força,
caminhei por vezes como mendiga,
mas nunca eu me senti tão querida
como quando um dia eu encontrei-te...

Olhando para o céu, por vezes perdida
com os olhos manchados de lágrimas,
procurei respostas e o teu abrigo
no teu coração grandioso de Pai querido...

Abraçastes-me como nunca eu fui abraçada
deixaste-me tocar e sentir o teu amor divino
num amor que nunca mais tem fim,
que nenhum um dia o havia sentido...

Eras Tu! Meu Pai Celeste e Amado
O Meu Deus do Universo e da Terra
que gentilmente despertaste e acordaste-me
para a fé do amor e da alegria...

Senti o amor divino dentro de mim
amor que gratuitamente passei a dar,
nas mais simples e pequenas coisas da vida
com aqueles que não ainda aprendido...

Entrei na tua catedral, em prantos ajoelhei
era linda, de puro cristal a sua luz era sem igual
acendia dentro dela a chama trina de bela cor violeta
pulsando um amor puro e transcendental...

Os grandes Mestres ali trabalhavam, afincadamente
nas ajudas do bem terreno, sem nunca pararem
doavam todo o seu amor na mais pura alegria...

O meu coração explodia, em êxtase total
com o amor que ali recebia, nunca vi igual
sai para a rua feliz porque tinha o Deus em mim...

Betimartins

Foto de MALENA41

O ÚLTIMO POR DO SOL ANTES DO ADEUS

Olhava meus dedos dos pés e chorava. Chorava por ele, por ele que logo partiria.
As malas estavam prontas...
Era a última noite que dormiríamos sob o mesmo teto. Na mesma cama já estava fazendo alguns meses que não dormíamos.
Eu já passava dos quarenta e cinco, porém, me sentia tão imatura.
A borboleta amarela e o beija-flor vieram me visitar. A tarde devagarzinho morria. Como eu, como eu.
Eu poderia chorar, desfazer as malas, me esgoelar. Ele desistiria da partida se eu implorasse.
Mas ficar com alguém desta forma? Como se ele estivesse me fazendo um favor?

A franja me caía nos olhos e eu a afastava, molhava suas pontinhas com as lágrimas que ensopavam meu rosto. Esfregava a boca e assoava o nariz. O lenço de papel estava ensopado. Precisava pegar outro. No entanto entrar na casa àquela hora?
Queria vê-lo chegar. Queria. Queria falar com ele.
Sofrer mais um pouquinho? ─ Diria minha sábia mãe.
Esticava a perna e recolhia, esticava de novo. Ela estava adormecendo de tanto tempo que ficara sentada ali. Uma hora, duas. O telefone cansou de tocar, o celular também. Não atendi.
Devia ser algum chato. “Poderia ser até meus filhos – mas eles ligariam outra hora”. Ou minha mãe. Ela também ligaria depois e faria milhares de perguntas. Sabia que não estávamos bem e estranharia meu silêncio. Conhecia meus hábitos e sabia que eu estava sempre em casa no final da tarde.
E se fosse ele? Ele não ligaria. Terminamos tudo e ele estava apenas aguardando que terminassem uns detalhes de pintura na casa que alugara. Levaria tão pouco, o indispensável eu diria.
Havia me dito que partiria bem cedinho.
Não brigamos desta vez. Só escutei e foi como se uma montanha de gelo despencasse sobre minha cabeça.
Nos últimos dois anos discutimos tanto que tudo se esgotou. O carinho morreu.
Houve um tempo que o medo de perdê-lo era maior e aí eu tentava reconquistá-lo. Depois fui me sentindo tão vazia e via que tudo era inútil.
Ele dizia coisas que me feriam fundo. Será que tinha noção do que estava fazendo? Não sei.
Acabei por feri-lo também. Não entendia ainda que estava agindo de forma errada.
Cada carro que passava fazia meu coração disparar, pois pensava que era Augusto que estava chegando.
De onde estava podia ver o sol descendo lentamente na linha do horizonte. Tínhamos uma vista privilegiada.
Quando compramos a casa comentamos que ninguém no mundo tinha uma vista igual. Até nosso ocaso era diferente, porque éramos muito especiais e nosso amor era exclusividade.
Nunca que terminaria um romance destes, nunca.

Um menino gritou na rua e fez meu coração pular e pensar nos meus filhos pequenos. Que pena que cresceram! Era tão bom tê-los sob a barra da saia.
De repente me via pensando no poema de Gibran: Vossos filhos não são vossos filhos.
Claro que não. Os filhos são do mundo. Só somos os escolhidos para colocá-los no mundo e orientá-los. E amá-los.
A menina se casara tão novinha e eu pensava que ela poderia ter esperado mais. Todavia havia o tal do livre arbítrio...
Meu filho estava cursando a universidade noutro estado. Foi o caminho que ele escolheu.
O menino continuava gritando e eu ficava ouvindo seus berros. Aquilo mexia com meus nervos que já andavam à flor da pele. O sol descia, descia.
Aí o carro estacionou. Era Augusto. Ele ainda tinha as chaves e o controle do portão. Foi abrindo e percebi que estava aborrecido.
Ele se mudaria no dia seguinte e nunca gostara de mudanças.
Na minha concepção meu esposo já tinha partido fazia bom tempo.
Olhei aquele belo homem estacionando na garagem e comecei a pensar quando nos conhecemos. Como ele era bonito!
Lógico que com os anos ganhara uma barriguinha, o cabelo diminuíra um pouco.
Mas num todo o corpo estava bem e o rosto sempre lindo.
Ele vinha em minha direção e meu coração disparava.
─ Você está bem?
─ Estou.
Minha voz saía rouca e eu pensava que precisava fazer aquele pedido, antes que nosso tempo se esgotasse.
─ Posso lhe pedir algo, Augusto?
─ Diga, Solange.
─ Não vai se aborrecer?
Que pergunta idiota! Eu o conhecia bem e sabia que estava arreliado.
─ Diga logo, que preciso tomar um banho. Tenho um compromisso daqui uma hora.
A frase veio como um balde de água fria me fazendo quase desistir de falar, Acontece que se não fizesse naquele instante não teria outra oportunidade e resolvi perguntar de uma vez.
─ Lembra-se quando ficávamos assistindo o sol se esconder de mãos dadas?
Ele pigarreou (andava fumando muito). Só que estava pigarreando neste momento para disfarçar.
E por fim falou baixinho:
─ Claro que lembro. Certas coisas não conseguimos esquecer por mais que tentemos.
─ Eu posso lhe pedir uma coisa?
─ Não se estenda, Solange. Já falei que estou apressado.
Outro balde.
─ Quero lhe pedir que sente aqui comigo para ver o sol se esconder. Falta pouco. ─ coloquei mais doçura na voz ─ Nem precisa segurar a minha mão.
Ele me olhou sem ternura no olhar, mas com pena.
Estaria eu fantasiando?
─ Augusto. Onde você vai morar dá para ver o sol se escondendo?
Ele virou o rosto na direção do horizonte e seu rosto parecia esculpido em pedra.
O telefone voltou a tocar e eu rezei baixinho:
─ Quieto, telefone. Fique quieto, por favor.
Por coincidência ou pela força de meu pedido depois do terceiro toque o telefone silenciou.
Em alguns instantes a magia daquele instante terminaria. Aquele corpo amado jamais estaria tão próximo ao meu.
Não resistindo eu busquei sua mão e ele estreitou a minha da forma que sempre fizera, apertando fortemente o mindinho.
Se eu chorasse naquela hora estragaria tudo. Ele havia me dito que não suportava a mulher chorona que eu me transformara.
Banquei a forte e nossos rostos estavam bem próximos. Os dois olhando o sol alaranjado e faltava apenas uma nesginha para o nosso astro rei se esconder.
Ele se levantaria em segundos e entraria no banheiro. Tomaria um banho e sairia. Chegaria tarde em casa e eu nem o veria chegar. Na manhã seguinte se mudaria e fim.
Um tremor percorreu meu corpo e de repente me vi estreitada em um abraço.
Aquilo não poderia estar acontecendo.
Sua boca sôfrega procurava a minha e eu me entregava inteira.
O sol acabava de desaparecer lá distante.
Eu já não via, mas sabia.
A língua dele tocava o céu da minha boca.
Estaria ficando louca?
Estaria sonhando?
Queria falar, mas o encanto se acabaria se falasse qualquer coisa.
Pressentia que não poderia me mexer, senão a poesia daquele instante se acabaria. Então fiquei bem quieta. Esperando. Esperando para saber se tinha escapado da realidade e entrado no sonho.
Eu não tomara absolutamente nada. Estava sóbria.
O corpo dele se estreitava ao meu.
Estreitava-se tanto que eu chegava a pensar que me quebraria algum osso.
Estava tão magra. Ossuda mesmo.
Ele é que rompeu o silêncio.
─ Desculpe.
─ Desculpar o quê?
Deus! Ainda era meu marido. Ainda era. Não tínhamos tratado da separação.
Augusto não sentia assim e provou isso pedindo desculpas.
─ Não tenho que desculpar nada, meu bem. Eu queria que acontecesse. E acho que você também.
Parecia que meu tom melodramático não o abalara em nada.
─ Foi um momento de fraqueza. Vou tomar um banho. Espero que você entenda que me deixei levar...
Eu o agarrei pelas costas e fiz com que se virasse e me olhasse nos olhos. Ainda haveria tempo de salvar nosso casamento?
─ E se eu mudar o meu comportamento?
─ Não há o que mudar. Tudo está resolvido. Amanhã cedo eu vou embora. Nossos filhos entenderão.
─ Será? Será que tudo é tão simples como diz?
─ Não vamos recomeçar.
E foi entrando porta adentro.
Eu fui seguindo-o. Se me beijara daquela forma ainda sentia amor e desejo. Ou estaria equivocada?
Ele colocou a chave do carro e a carteira sobre o rack e eu fui ao nosso quarto.
O que eu poderia fazer ainda? Jogar charme por cima dele não adiantaria de nada. Pedir? Implorar?
Deitei na cama e ele entrou no banheiro social e ligou o chuveiro.
Imaginei seu corpo nu e senti vontade de fazer amor com ele. Senti vontade de sentir de novo um abraço apertado, como o que acontecera há alguns minutos.
Que foi feito de nós? Fiquei me perguntando.
Em seguida desligou o chuveiro e fiquei pensando.
─ Ele nunca tomou um banho tão rápido.
A porta do quarto foi aberta abruptamente e molhado como estava ele me puxou para seus braços e me carregou para o nosso banheiro.
Usou a mão esquerda para ligar o chuveiro e com a destra livre foi me arrancando a roupa.
Será que em outras ocasiões fora tão impetuoso?
Era tudo tão espetacular e louco que eu custava a crer que estava sendo real.
Ele descia a boca para meus seios e mordiscava os mamilos.
Fizera isso milhares de vezes aqueles anos todos, mas estava sendo diferente, pois parecia haver uma raiva nele. Um desespero por me possuir.
Pensei se estava me violentando.
Acontece que eu estava querendo tudo aquilo e também o amei desesperadamente.
Também eu o mordi e o apertei.
Também eu quando tomei seu órgão genital nas mãos fui agressiva. Apertei mais do que devia.
Fazia-o não como uma fêmea no cio, mas como uma mulher desesperada.
Sabia que era a última vez e estava sendo maravilhoso e maluco.
Nunca nos amamos brutalmente antes e não estava sendo propriamente brutal. Era diferente. Era como se nós dois estivéssemos morrendo de sede e água nunca conseguisse nos saciar.
A relação sexual ocorria num ritmo alucinado. Bocas e mãos procuravam, deslizavam, corriam pelo corpo todo.
Palavras não existiam e antes falávamos tanto enquanto fazíamos amor.
Eu nem conseguia pensar direito tal a intensidade do que estava vivendo. Era como estar com um estranho. Aquele homem não era o Augusto de todos aqueles anos e aquela Solange exigente eu nunca fora.
Eu queria mais e mais e mais.
Antes nunca ocorrera comigo o orgasmo múltiplo e nem tinha conhecido que de repente pudesse senti-lo e sentia. O êxtase chegaria para nós? Ele aguentaria até quando?
Taxativamente eu desconhecia naquele homem meu companheiro de tantos anos e ele também devia estar me desconhecendo.
Prolongou-se ainda por meia hora o coito e quando por fim caímos exaustos na cama estávamos suados e arquejantes. Tão exaustos que não tínhamos forças para mexer um dedo.
Envergonhada pensava que não conseguiria mais encará-lo depois de tudo aquilo e foi ele que quebrou o silencio.
─ Estou desconhecendo-a, dona Solange.
─ E eu também não o reconheci ─ falei com débil voz.
Ele tinha se esquecido do compromisso?
Fiquei quietinha e nem queria pensar que ele pudesse se levantar e sair.
Augusto colocou o braço em volta do meu ombro e me puxou para seus braços.
Pensam que ele partiu no dia seguinte?
Está até hoje comigo e nossas noites costumam ser muito agitadas. Muitas vezes ele vem almoçar e esquecemos completamente da comida.
Ele perdeu a barriguinha e diz que eu acabo com suas forças, que sou a culpada.
Eu penso que sou a salvadora.

Foto de Jessik Vlinder

De Volta Ao Controle

Como foi bom não te ver. Não te encontrar quando pensei que iria. Confesso que a princípio meus olhos te procuraram e meu coração esperava, como um bandido quando vai roubar, o momento de acelerar descontroladamente quando deslumbrasse a tua imagem. Mas a esperança apagou tão rápido que me espantei por não ter doído. Eles (meus olhos e coração) simplesmente se conformaram sem dor nenhuma. E isso foi fantástico! Enfim estou de volta! Você de uma vez por todas retornou à posição que realmente merece – insignificância – e eu estou no controle novamente...
Sim, como é bom estar no controle. Por cinco ou seis dias você me tirou do comando e bagunçou um pouco meus compartimentos sentimentais. Ahh... eles são quase sempre intocáveis e eu tenho sido – há muito tempo – a única que põe ou tira qualquer coisa deles. Eu organizo tais compartimentos de uma maneira em que eu saiba exatamente onde está o que procuro, por isso às vezes sou tão fria, porque organizo meus sentimentos. Pow... é isso mesmo! Eu or-ga-ni-zo meus sentimentos. Daí você do nada, chega impondo regras e ditando ordens, querendo mudar minha forma de arranjar cada sentido e emoção fazendo eu me perder dentro daquilo que é meu e que praticamente só é tocado por mim... Ousado, invasivo, espaçoso e atrevido! E a pior parte, você foi tudo isso sem fazer ideia! Foi bem estranho pra mim essa “invasão” súbita. Eu vinha em minha vida calma e sob controle, tudo de acordo com o calculado, sem surpresas ou imprevistos. Eu podia ver a minha vida sentimental na palma da minha mão, como um pequeno quebra-cabeças montado. Então o susto de olhar e além de bagunçado vê-lo incompleto foi desnorteador! Por um momento fiquei parada de olhos arregalados tentando entender o que estava ali. Mas depois fui me acalmando e tentando encontrar a melhor solução. Aos poucos juntei algumas peças que estavam próximas e depois fui encontrando outras pelo chão e pela cama até que estava com todas as peças novamente, só faltava terminar de juntá-las. E hoje, ao perceber que tua ausência – e indiferença – não me causou mais nada, que nenhum tremor fez balançar as prateleiras das minhas dependências emocionais, coloquei a última pecinha que faltava no seu devido lugar.
Mas sabe que, olhando – sentindo – por outro lado eu diria que foi maravilhoso! Afinal, você pode me perguntar que graça tem viver assim. Sem um “abalo” desses de vez em quando (se não daqueles que causam estragos enormes e fazem você mudar tudo, pelo menos uns pequenininhos assim, que lhe faz repensar no mínimo em “pintar as paredes de outra cor”). Realmente é gostoso não saber o que falar, ter medo de ouvirem a batida no seu coração de tão forte que ele pulsa, ficar lembrando minunciosamente de cada olhar e toque por mais bobo que tenha sido, fazer de cada detalhe de contato parecer avassalador... se apaixonar. Sim, é muito gostoso. E admito que foi bom pra mim esse “tremor” inesperado. Eu pude sentir que ainda sou vulnerável, que não perdi minha sensibilidade nem me tornei uma calculista egocêntrica. Que ainda choro por não ser desejada como gostaria, que nem sempre sou desejada... Que nem sempre consigo medir meus passos e pronunciar palavras ensaiadas, manter a postura ‘perigosa e dominadora’ e acabar sendo a preza fácil e indefesa. Que meu coração ainda consegue gritar mais alto que minha razão e se deixar levar pelas emoções. Que nem sempre estou no controle...
Mas ainda prefiro ter o quebra-cabeças montado na palma da mão.

Foto de Angelgoiabinha2

O livro

****
***
**
*

O livro voou,
caiu em minhas mãos,
agarrei-o e abri.

Quis saber o que estava escrito ali!

Fui folheando,
meus olhos percorrendo cada linha com atenção.
No decorrer da leitura...
Fui aliviando meu coração.

Me pus novamente em casa,
em minha habitação,
graças a esse livro,
que me envolveu até a alma.

O livro fala do nosso jeito de viver,
me fazendo meus atos rever.

Ensinando que tudo tem seu tempo.
Acabou o meu tormento!

e agora só resto agradecer,
minha agonia acabou de desaparecer.

e assim parei de desesperar
optando por orar.

Angélica Macedo

Foto de Marilene Anacleto

Sentimento Calmo

Um sentimento calmo
Invade-me, palmo a palmo.

É afeto? É ternura?
É aquela fruta madura
Que se dá em refeição;

É o bálsamo em noite escura
Banhando-me o coração.

20/07/98
Publicado em: http://rotadaalma.spaces.live.com/
Publicado no site http://www.itajaionline.com.br
Publicado no livro Jardins, Jardins : [poemas[ / Marilene Anacleto. – Itajaí (SC) : 2004. 72 p. : il.

Foto de eda

Saudade"

"Saudades"

Durante o anoitecer
eu tinha tanto a lhe dizer
mas ao silencio escolhi,
para nao estragar um momento
um momento ao seu lado.
Pouco a pouco fui me apaixonando.
Por este sorriso deslumbrante,
que sempre que ele se abria para mim
eu sentia meu coração pulsar,
e uma enorme alegria que nao cabia no peito
e me fazia feliz.
Mesmo que por um instante menor que tudo,
sinto como se durasse toda a eternidade.
E quando este se acaba.
É como se minha vida se encerrace.
Ao lhe encontrar novamente!
Sentia-me como dono do mundo.
Sabe por que? Voce me da essa sensação?
Simplesmente por estar-mos próximos!
Mas quando o silencio nos consome
sem motivo ou razão,
sinto um vazio no meu coração.
Que percorre todo o meu corpo,
como se já nao houvesse mais vida.
uma dor descomunal rasga o meu peito
que clama seu sorrizo.
Mas você mantem o olhar distante. O que faz minha dor somente aumentar.
mas nada posso fazer, nao ser escrever,
mais um poema.
Que por algum instante me lembra
dos bons momentos em sua presença
em que alivia a minha dor...

Foto de Allan Dayvidson

MINHA MÚSICA

Confudi todos aqueles sons
com uma música que ouvi.
Parece que sou muito bom
em apreciar canções que não são para mim.

(Não peça desculpas por eu não ser feito para você...)

Sempre no lugar errado
e nunca a tempo de me defender.
Não tenho medo algum de errar...
só de nunca acertar.

(Já havia desculpado você muito antes de eu perceber,
só falta a perdoar a mim mesmo)

Se tenho algum medo, é de você.
Se tenho alguma esperança, devo sobreviver.
Então, não toque mais aquela música e me deixe esquecer.

Não há nada
além de mim, de você e da verdade.
Mas, no verso acima,
um de nós, com certeza, não cabe.

(Mas agora só tenho forças para lutas que posso ganhar...)

Mas já perdi antes do primeiro round
porque, aonde quer que eu ande,
essa canção parecerá minha até o sangue...

E você tocou o piano como se fosse sua maior apresentação,
eu poderia jurar que aquele som era meu.
Só que mal consigo me ouvir, quanto mais outro coração,
mas poderia jurar ter me ouvido no seu.

Se você silencia, eu também.
Se hesito, é para meu próprio bem.
Só queria que você não tocasse essa música para mais ninguém.

Foto de Paulo Master

Os Grandes Heróis

A eternidade é uma metáfora que para nós seres humanos não têm fundamento, afinal, não somos deuses.
Nossos estágios são contados a dedo e os elementos que compõem a nossa existência têm prazo de validade. Mas uma história pode levar séculos sendo lembrada assim como as lendas de bravos e valentes guerreiros que com ousadia e coragem em seus corações desbravam incontáveis fronteiras e vencem as guerras impostas pela tirania de seus cruéis inimigos.
Valentes na dor e vibrantes no amor.
Assim como as batalhas da guerra devem ser vencidas por grandes e audazes guerreiros, a essência do amor precisa efetivamente ser mostrada e levada por virtuosos e conceituados cavaleiros. O som que emana em suas ações não é o da destruição da guerra e sim de melodias sopradas em seus ouvidos pela voz da própria natureza em constante evolução. Pois sua sensibilidade vai além da capacidade humana, como o sangue que corre em suas veias e permite pulsar seu coração nobre e justo, de sábias palavras e inspiradoras decisões. É verdade o que contam por aí: “Os grandes heróis se consagram por suas ações empregadas em proporcionar o bem-estar a quem necessita!”. Pois sua ânsia e seus desejos estão muito acima do seu próprio entendimento, o que os proporciona poderes inimagináveis, levando-lhes à glória através da habilidade na generosidade e a destreza em oferecer o afeto. Mostrando habilidade e destreza apenas com o coração, com armas, jamais.

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