Coração

Foto de airamasor

Quero acreditar...

Quero acreditar...
Que o vento que toca minha face,
é a brisa que te desperta...
Na luz que envolve meu ser,
é teu carinho a me aquecer...
No sombrio do luar...
seus sonhos é com meu sonhar....
Quero acreditar...
Que as palavras que professas,
é a verdade de meu existir...
No sorriso que decora sua face,
é a alegria de meu próprio ser...
Na esperança que me envolve...
seja sua realidade a me sustentar...
Quero acreditar...
Que o Universo é tão extenso,
mas pequeno em distância de nosso querer....
Na conquista superada da dor vencida,
é vitória a suprir...
No murmúrio calado...
O Amor verdadeiro a silenciar...
Quero acreditar...
Que neste teu coração,
seja o meu amor a te envolver...
Na sua felicidade desejada,
seja comigo a compartilhar...
No beijo secreto...
Em teu pensamento permanecer...
Quero apenas...
Que destes versos
De meu coração a brotar...
Em palavras sentidas,
estejam o teu sentir...
No pulsar de minha alma...
Em sua emoção permanecer...
(Aira, 24 de março de 2011)

Foto de airamasor

Procurando o Amor

Em meu despertar....
Um pedaço de mim chora...
Laços que partem,
Uma parte que implora...
Esperança vazia...
Uma lágrima escorre...
Soluços ocultos,
Em meu sangue percorre....
Formosa vida...
Proibida a ilusão....
Sonhos de menina,
Calados na oração...
Brilho nos olhos...
Sorrisos em vão...
Alma feminina,
Pedindo paixão....
Existência em luz....
Coração sem pudor...
Sobrevivo,
Procurando o Amor...
(Aira, 24 de março de 2011)

Foto de airamasor

Doce ilusão...

Como uma canção.....
Envolvente......
As batidas de meu coração....
Que mente....
Como um ladrão....
Cautelosamente....
As marcas de uma paixão.....
Atende....
O perdão....
Silenciosamente....
De minha ingratidão....
Somente....
Sofreguidão.....
Alma infante....
Na escuridão...
Invente...
Alguma medicação...
Mesmo ausente...
À cura da Solidão...
Astutamente....
Pretensão!....
De minha alma cantante...
Esquecer....Doce Ilusão...
(Aira, 24 de Março de 2011)

Foto de Vágner Dias

Cansei de tudo

Hoje bateu uma solidão bandida que eu só queria um colo para encostar minha cabeça e fingir que o mundo lá fora não existe.. Hoje eu queria um abraço seu.. Daqueles que sufoca de tão apertado e ao mesmo tempo te protege de tudo. Hoje eu só queria ouvir sua voz dizendo" liguei para saber se você está bem", para sentir uma dor menos doida dentro do peito..Cansei de tanta mentira.Cansei de mentir pra mim.. Para ver se dói menos.. Cansei de me preocupar com quem não se preocupa comigo..cansei de sofrer de acordar indisposto, cansei de sentir o coração bater mais forte com uma sensação de arrependimento...de erro. Cansei de tudo..

Foto de fisko

Deixa lá...

Naquele fim de tarde éramos eu e tu, personagens centrais de um embrulho 8mm desconfiados das suas cenas finais… abraçados ao relento de um pôr-do-sol às 17:00h, frio e repleto de timidez que se desvanece como que um fumo de um cigarro. Eu tinha ido recarregar um vício de bolso, o mesmo que me unia, a cada dia, à tua presença transparente e omnipotente por me saudares dia e noite, por daquela forma prestares cuidados pontuais, como mais ninguém, porque ninguém se importara com a falta da minha presença como tu. Ainda me lembro da roupa que usara na altura: o cachecol ainda o uso por vezes; a camisola ofereci-a à minha irmã – olha, ainda anteontem, dia 20, usou-a e eu recordei até o cheiro do teu cabelo naquela pequena lembrança – lembro-me até do calçado: sapatilhas brancas largas, daquelas que servem pouco para jogar à bola; as calças, dei-as entretanto no meio da nossa história, a um instituto qualquer de caridade por já não me servirem, já no fim do nosso primeiro round. E olha, foi assim que começou e eu lembro-me.
Estava eu na aula de geometria, já mais recentemente, e, mais uma vez, agarrei aquele vício de bolso que nos unia em presenças transparentes; olhei e tinha uma mensagem: “Amor, saí da aula. Vou ao centro comercial trocar umas coisas e depois apanho o autocarro para tua casa”. Faço agora um fast forward à memória e vejo-me a chegar a casa… estavas já tu a caminho e eu, entretanto, agarrei a fome e dei-lhe um prato de massa com carne, aquecido no micro-ondas por pouco tempo… tu chegas, abraças-me e beijas-me a face e os lábios. Usufruo de mais um genial fast forward para chegar ao quarto. “Olha vês, fui eu que pintei” e contemplavas o azul das paredes de marfim da minha morada. Usaste uma camisola roxa, com um lenço castanho e um casaco de lã quentinho, castanho claro. O soutien era preto, com linhas demarcadas pretas, sem qualquer ornamento complexo, justamente preto e só isso, embalando os teus seios únicos e macios, janela de um prazer que se sentia até nas pontas dos pés, máquina de movimento que me acompanhou por dois anos.
Acordas sempre com uma fome de mundo, com doses repentinas de libido masculino, vingando-te no pequeno-almoço, dilacerando pedaços de pão com manteiga e café. Lembro-me que me irrita a tua boa disposição matinal, enquanto eu, do outro lado do concelho, rasgo-me apenas mais um bocado de mim próprio por não ser mais treta nenhuma, por já não me colocares do outro lado da balança do teu ser. A tua refeição, colorida e delicada… enquanto me voltavas a chatear pela merda do colesterol, abrindo mãos ao chocolate que guardas na gaveta da cozinha, colocando a compota de morango nas torradas do lanche, bebendo sumos plásticos em conversas igualmente plásticas sobre planos para a noite de sexta-feira. E eu ali, sentado no sofá da sala, perdendo tempo a ver filmes estúpidos e sem nexo nenhum enquanto tu, com frases repetidas na cabeça como “amor, gosto muito de ti e quero-te aos Domingos” – “amor, dá-me a tua vida sempre” – “amor, não dá mais porque não consigo mais pôr-te na minha vida” e nada isto te tirar o sono a meio da noite, como a mim. Enquanto estudo para os exames da faculdade num qualquer café da avenida, constantemente mais importado em ver se apareces do que propriamente com o estudo, acomodas-te a um rapaz diferente, a um rapaz que não eu, a um rapaz repentino e quase em fase mixada de pessoas entre eu, tu e ele. Que raio…

Naquela noite, depois dos nossos corpos se saciarem, depois de toda a loucura de um sentimento exposto em duas horas de prazer, pediste-me para ficar ali a vida toda.

Passei o resto da noite a magicar entre ter-te e perder-te novamente, dois pratos de uma balança que tende ceder para o lado que menos desejo.
É forte demais tudo isto para se comover e, logo peguei numa folha de papel, seria nesta onde me iria despedir. Sem força, sem coragem, com todas aquelas coisas do politicamente correcto e clichés e envergaduras, sem vergonha, com plano de fundo todos os “não tarda vais encontrar uma pessoa que te faça feliz, vais ver”, “mereces mais que uma carcaça velha” e até mesmo um “não és tu, sou eu”… as razões eram todas e nenhuma. Já fui, em tempos, pragmático com estas coisas. Tu é que és mais “há que desaparecer, não arrastar”, “sofre-se o que tem que se sofrer e passa-se para outra”. Não se gosta por obrigação, amor…
Arranquei a tampa da caneta de tinta azul, mal sabia que iria tempos depois arrancar o que sinto por ti, sem qualquer medo nem enredo, tornar-me-ia mais homem justo à merda que o mundo me tem dado. Aliás, ao que o teu mundo me tem dado… ligo a máquina do café gostoso e barato, tiro um café e sento-o ao meu lado, por cima da mesa que aguentava o peso das palavras que eu ia explodindo numa página em branco. Vou escrevendo o teu nome... quão me arrepia escrever o teu nome, pintura em palavras de uma paisagem mista, ora tristonha, ora humorística… O fôlego vai-se perdendo aos poucos ornamentos que vou dando á folha… Hesitação? Dúvidas?... e logo consigo louvar-me de letras justapostas, precisamente justas ao fado que quiseste assumir à nossa história. Estou tão acarinhado pela folha, agora rabiscada e inútil a qualquer Fernando Pessoa, que quase deambulo, acompanhando apenas a existência do meu tempo e do tic-tac do meu relógio de pulso. Não me esqueço dos “caramba amor”, verso mais sublime a um expulsar más vibrações causadas por ti. Lembro-me do jardim onde trocávamos corpos celestes, carícias, toques pessoais e lhes atribuíamos o nome “prazer/amor”. Estou confuso e longe do mundo, fechando-me apenas na folha rabiscada com uma frase marcante no começo “Querida XXXXXX,”… e abraço agora o café, já frio, e bebo-o e sinto-o alterar-me estados interiores. Lembro-me de um “NÃO!” a caminho da tijoleira, onde a chávena já estaria estilhaçada…
Levantei-me algum tempo depois. Foste tu que me encontraste ali espatifado, a contemplar o tecto que não pintei, contemplando-o de olhos cintilantes… na carta que ainda estava por cima da mesa leste:

“Querida XXXXXX, tens sido o melhor que alguma vez tive. Os tempos que passamos juntos são os que etiqueto “úteis”, por sentir que não dou valor ao que tenho quando partes. Nunca consegui viver para ninguém senão para ti. Todas as outras são desnecessárias, produtos escusados e de nenhum interesse. Ainda quero mesmo que me abraces aos Domingos, dias úteis, feriados e dias inventados no nosso calendário. M…”

Quis o meu fado que aquele "M" permanecesse isolado, sem o "as" que o completaria... e quis uma coincidência que o dia seguinte fosse 24 de Março... e eis como uma carta de despedida, que sem o "Mas", se transformou ali, para mim e para sempre, numa carta precisamente um mês após me teres sacrificado todo aquele sentimento nosso.
Ela nunca me esqueceu... não voltou a namorar como fizemos... e ainda hoje, quando ouço os seus passos aproximarem-se do meu eterno palácio de papel onde me vem chorar, ainda que morto, o meu coração sangra de dor...

Foto de Leidiane de Jesus Santos

Está Escrito Por Deus o Nosso Amor

É impossível mandar no coração
É impossível dizer não pra quem se ama
O nosso amor foi escrito por Deus
Foi ele quem decretou para estarmos juntos
Não tem como lutar contra o que é divino
Não tem como correr ou se esconder
Por que todas as vezes que eu tentei te esquecer
É quando eu mais lembro e me apego a você
E quando eu beijo outra boca,
Cada vez desejo mais a sua
Quantas vezes a noite
Quando as lembranças vêm
Me recordar dos nossos momentos Juntos
Eu ajoelho e rezo a Deus
Que leve esses pensamentos embora
Mas Deus vem e me mostra
Que a um motivo pra esse sentimento
Ainda existir tão forte dentro de mim
Que a um motivo dele ainda permanecer tão intenso
E que eu não preciso ter medo dele
E não adianta fugir que ele sempre vai existir
Pois tudo está escrito e assinado por Deus
E é fato que eu nasci pra você
E você nasceu pra mim.

Foto de Danilo Matos

Pensamento motriz

Uma tristeza sem precedentes mostra-se ativa na profundeza do meu ser.
Vozes vindas do além, quase que inaudíveis, ecoa constantemente calando a minha voz.
Interrogações sufocam-me constantemente, são dúvidas vociferando, causando um som insuportável nos meus tímpanos.
Quem sou? Por que sou?
Responder... Quem poderá?
Horas mostro-me forte, suportando todas as afrontas que a vida me propõe, mas não sou de ferro nem muito menos super-herói.
Quando não suporto mais, abro a boca e levanto meus ouvidos, com intrepidez vocifero: - Oh! vida minha, o que tu tens comigo? Por que me silencia quando estou convicto do que quero? Será que serei sempre escravo seu? Responda-me, pois, meu coração está ávido por respostas.
De repente, ouço um burburinho...
Meu coração palpita em uma velocidade desordenada, causando-me falta de ar.
Lanço-me ao chão e tento ouvir o que a vida quer falar:
-Oh! vivente insensato até quando me interrogará com suas perguntas vazias?
Não sabes que vives em uma escola? Não percebeste que o erro de ontem te fortaleceu para o agora? Até quando duvidarás de mim? Não sabes que só quero o seu bem!
-Viva constantemente o agora, pois, tudo que fizeres hoje refletirá amanhã.
Com os olhos lacrimejando, levanto-me do chão, conformado com tudo que ouvi, silencio-me.
Cabisbaixo, saí do anfiteatro, triste, mas convicto que: a escola da vida formará apenas aqueles que têm a sensibilidade de escutar o que todos rejeitam, de ver o que ninguém quer e de fazer o que todos têm medo.
Quando saíres em busca de seus objetivos não se esqueça de levar contigo uma caneta, para você reeditar todos os erros cometidos, os erros são quem te fortalece para o amanhã.

Foto de Carmen Vervloet

ESBOÇO

Carrego comigo um porta-joias de porcelana
guardado com zelo no fundo do coração.
Foi conquistado numa perigosa caravana,
nesta vida em que me atirei com paixão.

É um relicário com tantas experiências...
Tristezas, alegrias, frustrações, boas lembranças,
amealhadas nas estradas com a minha anuência,
guardadas por mim em todas minhas andanças.

São peças valiosas, sem preço no mercado,
são retalhos costurados com esmero no caminho...
Sem elas minha alma jamais teria esboçado
os traços da felicidade e os seus parentes vizinhos.

Carmen Vervloet

Foto de Marilene Anacleto

Ficha Suja, Ficha Limpa

Ficha suja
Tudo empurra
Com a barriga
A ferida social
Tão sofrida

Anda de avião.
O eleitor ‘vacilão’
Anda de ‘busão’.

Na saúde, tem bom plano
(Com nosso dinheiro!)
O eleitor, sem banheiro,
Sem esgoto,
Hospital não tem direito.

Ficha suja vai fazer hospital
(diz ele!)
Mas o eleitor (coitado dele!)
Adoece porque vive
No lamaçal.

Ficha limpa
Tudo brilha
Voz firme que não vacila
Aproxima-se de coração
Felicidade em tocar-lhe a mão.

Não promete hospitais
Tampouco emprego
Ou coisas mais

Cuida da natureza,
Casas sem desmatamentos,
Emprego e dinheiro
Vem dos reaproveitáveis
Organização dos recicláveis.

Ficha suja
Amor ao dinheiro
Apego aos bens não duráveis.

Ficha limpa
Amor a Deus, a si e ao próximo.
Porque ela é a nossa vida,
Amor à Natureza
E (ainda assim massacrada)
Mantém a sua florada,
E sustenta a nossa mesa.

Marilene
Publicado em 5 05Europe/Berlin outubro 05Europe/Berlin 2010 por maryany3

Foto de odias pereira

" MORANGOS VERMELHOS MOLHADINHOS "...

Os teus lábios são como dois morangos vermelhos madurinhos,
Sedentos para serem provados.
Morangos vermelhos sangue molhadinhos
Pedindo para serem beijados.
Os teus lábios vermelhos me seduz,
Me provocam e me excita.
Levam-me ao extase e me conduz,
A provar o sabor da paixão em que em teus lábios habita.
Quero saciar-me em teus lábios,
Conhecer toda a sua sedução.
Te amar provocando arrepios,
Ser feliz e dar pra ti o meu coração...

São José dos Campos SP
Autor: Odias Pereira
23/03/2011

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