o blogue de Osmar Fernandes

Retrato de Osmar Fernandes

DELÍRIO DA TRANSFORMAÇÃO

Delírio da transformação

Ontem, eu que vivia no mundo
Colorido dos macacos,
Hoje, vivo no mundo
Dos macacos coloridos.

Às vezes, com o delírio da transformação
Não sei se choro
Ou se vibro de emoção.
Mas, até onde chegará essa evolução?!

Quando eu vivia no mundo
Colorido dos macacos,
Sonhava com um planeta em harmonia,
Onde o homem, na sua alma, se evoluía...
Então, era mesmo, uma sociedade em construção.

Quando vivo no mundo dos macacos coloridos,
Sofro, contudo, com a dor da guerra, do terrorismo,
Da corrupção, de armas químicas e biológicas...
Onde o mundo já não é mais tão florido.
Onde o poder do progresso traz sua destruição.

Retrato de Osmar Fernandes

A vida e o cemitério se fundem

Tem que ser assim.
Como um carro na estrada do horizonte.
Nunca tem fim.
Viver é apaixonante.

Tem motor.
Tem destino.
Tem amor.
Tem a força do menino.

A vida é uma curva sem voltas.
Tem sentimento instituído.
Não são como memórias mortas.

A vida e o cemitério se fundem...
O mundo vivo é divertido.
Sorriso e lágrimas se confundem.

Retrato de Osmar Fernandes

O que resta é um simples adeus

Você me deixa na mão,
Escorrega em desculpas,
Depois, pede perdão.
O ciúme acabou... Escuta!
Você mata aos poucos
Uma linda paixão.

Você quer mandar demais,
Me faz de gato e sapato...
Sentimento de amor tá no fim.
Eu já não suporto essa solidão.
Carinho vem mastigado
Como lágrima no chão...

Pense, como era o nosso amor.
Era loucura de amantes...
Juras apaixonantes!
E tudo isso expirou.
Agora, amor vive distante.
Nosso namoro dorme sem cama.

Já não tem emoção.
Entristecido, se perdeu.
Não pulsa forte o coração.
É como brasa sem fogo...
Virou cinza, se apagou.
O que resta é um simples adeus.

Retrato de Osmar Fernandes

A lágrima

Fingida,
Delícia,
Mentira,
Ferida.

Importa,
Exporta,
Complica,
Implica.

Fogosa,
Manhosa,
Chora,
Implora.

Dança,
Mansa,
Forte,
Sorte.

Sisuda,
Amorosa,
Virtude,
Assombrosa.

Desnuda,
Falante,
Derruba,
Amante.

Dogmática,
Filosófica,
Pragmática,
Histórica.

Aparece,
Some,
Desaparece,
Consome.

Retrato de Osmar Fernandes

nosso amor

Nosso amor é como o beijo da serpente.
Anda por entre árvores de tempestades.
Vive como vendedor ambulante de repente.
Não se preocupa com as mentiras e verdades.

Nosso amor é como pirulito de criança.
Anda na contramão do destino.
Sempre ganha fôlego de essperança.
Nunca morre na boca dum menino...

Sem dogmas do divino vai errante.
Sem pragmatismo histórico vai vivendo.
Tem no sentimento o desejo louco.
Assim vai morrenddo de amor.

Esse amor quer encontrar seu porto.
Vive voando nas costas do vento.
Mergulha no delírio do seu horto.

Retrato de Osmar Fernandes

Filosofando

Vivo sem respostas de minhas dúvidas filosóficas.
Viajo no meu passado e procuro mexer nas incertezas que viraram banalidades contemporâneas.
Sou a ignorância presente e o maluco correndo embusca de certezas inexistentes... Busco o futuro louco.
Vou levando a vida, e cada vez me sinto um macaco selvagem.
"Sei que nada sei." Mas busco nas fagulhas de cada instante, viver para morrer mais sabiamente.
Sei que ao nascer começo a morrer.
Gostaria de saber se ao morrer vou viver... Sou o passado que se preocupa com o presente que o futuro me fará passado de novo.
Sou ser inteligente, complexo, duvidoso, perplexo, que, busca na razão a resposta do sistema vida.
Tenho que pagar pecados antes de nascer, e morrer antes de viver. Tenho tudo e ao mesmo tempo nada.

Retrato de Osmar Fernandes

O mar chora no planalto...

Nasci de um vendaval de interesses
Cresci jogando bola no quintal
Descobri desejos e segredos
Perdi meu sonho fatal
Dormi quando estava acordado
Acordado, dormi na noite sem lua
Já vi o sol nascer quadrado
Andei sem destino pela rua
O hospício é minha casa
Meu quarto não tem endereço
Vivo no mundo do conto de fada
Meu silêncio grita alto
Liberdade não tem preço
O mar chora no planalto...

Retrato de Osmar Fernandes

socorro

Tô com medo de morrer
tô vivendo por acaso
Tenho medo de sair
Não quero ficar aqui
Minha casa não tem muros
A internet está cheia de espiões
Minha vida não tem seguro
A rua é pura insegurança
Tenho medo de paixões
O mundo perdeu sua criança
O passado eu me esqueci
Meu presente é cheio de grilos
O futuro tá esquisito
Tenho medo de morrer
Tenho pavor de ficar sozinho
Tenho pânico de multidão
É gente roubando gente
Criança furtando velho
Adulto vendendo cão
Meu direito tá no prego
O mundo tá perdendo a cabeça
O sonho não tem mais juízo
Tá faltando comida na mesa
Tudo tá no prejuízo
Tô gritando no meu silêncio
To no silêncio do meu grito
É lixo pra todo lado
É conta sem pagar
Todo mundo só fala de problema
Aonde isso vai parar
A hipocrisia anda solta
O santo tá num dilema
Anjos perdendo asas
Asas ficando sem vôos
Tô na rua, to sem casa
Já nem sei se me perdôo
Tá todo mundo doido
Tô pedindo por socorro,
Soooooocorro...

Retrato de Osmar Fernandes

O outro lado da moeda

É carnaval...
Festa mais popular do Brasil.
Os foliões se enfeitam, brincam, pulam e soltam seus cachorros...
O carnaval tem escola de samba; blocos; bonecos gigantes...
Tem trio elétrico, bandas e muito samba no pé.
Muita gente ganha dinherio com o carnaval.
Turista do mundo inteiro vem
apreciá-lo.
Infelizmente o outro lado da moeda é triste.
Tem muita bebida... drogas correndo solta... Tem muita gente que vai ao carnaval para fazer mal...
Nas estradas que dão acesso aos grandes eventos carnavalescos a morte anda à galope... Pessoas perdem a vida no trânsito por excesso de bebidas, imprudência e pressa... Bebida e volante não combinam.
Nessa época as funerárias vendem muitos caixões...
A alegria e a tristeza andam de mãos dadas.
É a morte rondando a vida.
Assim é a folia do carnaval... Folia e agonia... No carnaval de rua o povo se diverte, há um grande alerta: pular sem cair.
Viva o carnaval!
Abaixo a violência; abaixo a intolerância; Viva a vida!
O carnaval deve ser sempre um vendaval de alegria.

Retrato de Osmar Fernandes

Mundo animal

Segredo da vida.
Desejo do prazer.
Despedida, agonia.
Medo de morrer.

Andando, olhando.
Planaltos, planícies.
Nadando, remando.
Precipícios, superfícies.

Crendo, temendo.
Vendo, sem visão.
Pretendendo...

Bem ou mal.
Pára ou bate o coração.
Mundo animal.

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