Quando passavas na rua
Ficava alguns segundos te admirando
Desejando, querendo-te
Até que sumias no meio da multidão
Então despertava com os sons vindo da rua
A noite vinha a lembrança da Tua presença
Tentava adivinhar tua feições
Imaginanava qual seu nome, onde moravas
O que fazias, até adormecer suavemente
No dia seguinte, no mesmo horário
Lá me encontrava no mesmo lugar da véspera
Na esperança de encontrá-la
Vê-la por alguns segundos
Quando passavas meu coração palpitava
A transpiração se agitava
Minhas mãos transpiravam
Meus olhos piscavam ligeiros
Até que um dia procurei qualquer pretexto
Para falar-te, saber de você
Dizer da minha afeição e encanto por ti
Dos dias contados que a via passar
Mas decepção... naquele dia não estava sozinha
Um moço te acompanhava
Vi-os se beijando, sorrindo
Só então notei a aliança no teu dedo
Os versos que trazia no bolso mudei
Cravando-os numa placa:
Aqui diariamente passava uma borboleta
Que enfeitiçavam meus olhos com suas cores
Hoje passa uma lagarta carregada por um pardal
Juraci Rocha da Silva - Copyright (c) 2006 All Rights Reserved
Senhor salvai esta alma que delira
Frente a esta mulher que me inspira
Os mais loucos e insanos desejos
Deixando-me sem vergonha, sem pejo
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Chora o escravizado
Longe de sua Pátria
Ferido de extrema dor
Com o peito sangrando saudades
Chora a sua Terra
Que além-mar distante
Reteve suas esperanças
De sorrir, brincar... Agora chora
Seus sonhos renasce das cinzas
Com os olhos de azul esperança
Lavados com tintas amarelas
Na verdes matas da alma
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Mira as águas
Pescador solitário
Peixes furtivos
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Folha caindo na água
Desprendida do galho
Leva-a a correnteza
Levou também minhas esperanças
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No céu a garça
Imita graciosa, o avião
Olhos extasiam
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Linda cidade de sol e mar
Moça bela, simpática, singela
Que felicidade, foi em ti passear
Chegando a hora da despedida
Levo o peito cheio de recordação
Levo de ti São Sebastião
Alegrias de conhecê-la
Não digo adeus
Na esperança de voltar
Rogarei aos céus
Deixe-me presenciá-la
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Chora o escravizado
Longe de sua Pátria
Ferido de extrema dor
Com o peito sangrando saudades
Chora a sua Terra
Que além-mar distante
Reteve suas esperanças
De sorrir, brincar... Agora chora
Seus sonhos renasce das cinzas
Com os olhos de azul esperança
Lavados com tintas amarelas
Na verdes matas da alma
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Vôo rasante, firme
Alvo estabelecido
Almoço feito
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Uma rosa abandonada na praia
À espera de seu amor que partiu
Compadecida de sua sorte
As águas vinham refrescar-lhe as pétalas
Ao sentir o frescor das águas
Ela lembrava-se das últimas palavras
No momento do embarque:
“Hei de voltar, te amo!”
Porém, iam passando os dias
E a rosa na praia passeava
Com os olhos voltados para o horizonte
Perscrutando as águas do mar
Desalentada, murmurava uma canção saudosa
“Foi, pra nunca mais voltar”
Mas, a rosa não perdia as esperanças
Todos os dias voltava à praia
E indagava às gaivotas do seu amor
Que pipilando respondiam:
“Vimos, mas não sabemos se volta
Partiu pro alto mar
Levou a alegria consigo
E a saudade deixou cá”
E assim, passavam-se os dias
E a rosa murchava, fenecia
A saudade a consumia
Mas mantinha a certeza
Do regresso do seu amor
As ondas, suas companheiras
Vinham beijar-lhe os pés
Mitigando-lhe a dor
Lançava objetos na areia
Para alegrar a pobre rosa
Outras vezes, brincavam de desmanchar castelos
O que a rosa fazia maquinalmente
Pensando: “Desfez-se meu castelo de sonhos
Nunca mais hei de encontrá-lo”
Numa destas manhãs límpidas e claras
As ondas jubilosas
Beijavam os pés da rosa
Que cantarolava sua canção de saudades
Eis que surge ao longe
Um barco que volta
Um grito potente é ouvido:
“Voltei, voltei porque te amo!”
A rosa é levada pelas águas até o barco
Para encontrar seu amor
O cravo, que marcara seu coração
Suas fiéis companheiras
Desenham na areia da praia:
“O amor sempre vence!”
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